Mulheres encantadoras,

Chamadas de “femininas”

Nem frágeis, nem delicadas

São Fortes, são heroínas

Eu falo de todas elas

Seja adultas ou meninas

 

Confundidas com a terra

Aglutinam a grandeza

De uma mãe que pariu

O plantio da natureza

Gerando todos os seres

Vivendo dessa riqueza

 

Falo da maternidade

Um ato impressionante

Gera, pare e dar a luz

De maneira apaixonante

Vem do útero ou coração

Que a mulher fica gestante

 

A atitude do criar

Não existe facilidade

Leva tempo e paciência,

Em troca a felicidade

De um dia ver crescer

Da prole a liberdade.

 

Se tornar mãe não é fácil.

É duro na sociedade!

São julgamentos impostos,

Falam sem propriedade,

Cobram e apontam o dedo

Dão a responsabilidade.

 

Por que nós somos julgadas?

Se é do fruto coletivo?

Que se faz uma criança.

Pra mulher é punitivo,

Não existe a escolha,

Já pro homem, optativo.

 

Vemos muito por ai,

Mulher criando sozinha.

Trabalha, cuida de casa

Sem parceiro, ela caminha.

Os olhares são estranhos

Mas nunca perdem a linha.

 

O homem é “diferente”!

O abandono parental,

A sociedade aplaude

Fecha os olhos, é normal.

Reflexo da ideologia

Machista e patriarcal

 

Em muitas comunidades

A coisa foi diferente:

Os filhos eram comuns

O cuidado conseqüente,

Nas Aldeias de Indígenas

A prática é vigente.

 

A opressão transformou

As pessoas em objeto.

São só números vagos

Pro capital, um projeto

De explorar mais e mais

Nosso povo por completo.

 

Mulheres com ou sem filhos,

As Casadas e solteiras,

Todas as trabalhadoras,

Sem avenças e fronteiras.

Hetéro, bi, trans, lésbicas

Todas somos companheiras!

 

 

Maria Clara Psoa

Natural de Natal-RN é Poeta Cordelista e Rapper. Doutora em Serviço Social pela PUC SP. Atualmente reside em São Paulo capital. Autora do livro VOZES DO CORDEL: HISTÓRIA, VERSOS E TRANSFORMAÇÕES, lançado em 2024 e de outras obras em Cordel. É membro do Fórum de Salvaguarda do Cordel em São Paulo e cofundadora do Coletivo Teodoras do Cordel. Redes sociais: @mariaclarapsoa