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10 ago

Comprem livros, por favor!

A “bunita” dos velejadores, que já publicou cerca de 5 obras, com sua última obra em mãos, que saiu pela Companhia das Letras e a qual está no topo da lista dos mais vendidos do Brasil, pediu para que parassem de comprar seu livro, alegando que já há muitos exemplares dele circulando pelo país, “preocupada” com as questões climáticas e o impacto “negativo” do livro para o meio ambiente. Naquele momento, eu que estava em uma semana de feira literária, ao lado de mais de centenas de autores que, assim como eu, pagam seus boletos para sobreviver, de maneira que vender essas nossas iguarias é uma parte significativa da renda para conseguirmos comer o nosso arroz com feijão de todo dia, me senti a maior mentecapta, energúmena, parva e inútil do universo! Então, tocou o interfone lá em casa e João foi atender. E eis que Ivanildo o comunica que há um pacote de livro na portaria, que está sem identificação de destinatário, mas que como eu sou a única do prédio que compra livros, provavelmente o pacote era para mim. DETALHE: eu sou a ÚNICA do prédio que compra livros!!!!! Prédio este com 13 andares, 4 apartamentos por andar e em média 3 pessoas por apartamento! Faz as contas… Isso no meu humilde microcosmos, repleto de pessoas com um alto poder aquisitivo, pq se você vai à garagem de meu prédio, o meu carro é o único velho de 2001 que se encontra por lá (aliás, amooo meu carro, não dá problema e não pago IPVA por ser isento), até porsche tem por lá, mas livros? Ninguém compra! Eu sou a única da vizinhança que compra livros ou pelo menos que compra livros com uma certa frequência. Enfim… João desceu à portaria para averiguar e, ao encontrar no pacote em questão, em uma etiqueta, as palavras: “Livro Pablo Marçal”, constatou que aquele livro definitivamente NÃO havia sido uma aquisição minha! Ahhh, então mais alguém compra livros no meu prédio! Ufa, não sou a única! NÃO!! Espera… Pablo Marçal? Socorrooo!! Por favor, pare o mundo que eu quero descer!!

📌 Em tempo: comprem meus livros e os livros de meus companheiros e companheiras de estrada! Aliás, comprem livros! Nós precisamos disso e vocês também precisam!

 

Ao sentar, buscando a calma

Me entreguei àquela brisa

Que tão cedo já me avisa

Estendendo então a palma

Que meu verso vem com alma

E não há como mudar

Sem querer me rotular

Mas mostrar o meu estilo

Minha essência eu assimilo

Pra não mais querer mudar

 

Por mil vezes fui aflita

Sem querer cá me aceitar

Dia e noite a me julgar

Criticando minha escrita

Mas em mim, meu texto grita

Procurando assim sair

Antes do meu desistir

Se lançando, tão selvagem

Mesmo pra ficar à margem

E seu caminho cumprir.

 

Graziela Barduco

 

10 ago

A Revolução do Cordel Feminino na Flip 2026

As ações das Teodoras do Cordel na Casa do Cordel e na Casa Minc

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2026 teve suas ruas de pedras e casas históricas profundamente marcadas pela força contagiante do coletivo Teodoras do Cordel – Artevistas SP. Com uma presença performática e visceral, as artistas do coletivo transformaram a Casa do Cordel, sediada noseu de Arte Sacra de Paraty através do Iphan e a Casa MinC nos verdadeiros epicentros da poesia popular feita por e para mulheres. As Teodoras do Cordel não apenas figuraram na programação do evento, mas expandiram os limites da tradição cordelista por meio de uma ocupação artística e de resistência ao longo de todo o evento.

A atuação do coletivo desdobrou-se em uma série de intervenções artísticas, performáticas e dinâmicas, abarcando a métrica das sextilhas, setilhas e décimas, que serviu como veículo para versar sobre temas urgentes como o combate à violência contra a mulher, a igualdade de gênero, o racismo estrutural e a justiça ambiental. Além das apresentações e do lançamento da nova obra do coletivo, “No Ritmo do Cordel ” (editora: Cordelaria Castro), o grupo promoveu ainda a venda direta de livros e folhetos inéditos, fortalecendo a economia criativa independente. Nas mesas de debate, as integrantes lideraram discussões profundas sobre o resgate histórico de autoras esquecidas e o combate ao apagamento feminino na literatura popular brasileira, bem como acerca da Literatura de Cordel na Educação Infantil.

O ponto alto e mais emocionante dessa passagem por Paraty ocorreu durante o encontro entre as Teodoras do Cordel e a escritora Conceição Evaristo. O momento, que aconteceu no intervalo entre a mesa sobre literatura, cultura e territórios (com a participação de Conceição Evaristo) e a mesa sobre o cordel na educação infantil (com a participação das artistas do coletivo Teodoras do Cordel), transcendeu a mera celebração festiva e consolidou-se como um ato de profunda cumplicidade e ancestralidade.

Aclamada por sua trajetória, Conceição foi homenageada pelo coletivo na obra “Mulheres Negras que Marcaram a História”, entregue à autora em mãos pelas artistas do coletivo, criando uma atmosfera vibrante de afeto e exaltação poética. Durante a entrega dessa e de outras obras das artistas do coletivo, as autoras celebraram a potência feminina, ressaltando que o cordel produzido por mulheres é a corporificação perfeita da “escrevivência”, termo cunhado por Conceição Evaristo para designar a escrita que brota do corpo, da vivência e da memória coletiva.

A passagem ostensiva e vibrante das Teodoras do Cordel pela Flip 2026 deixou um legado duradouro ao demonstrar que a poesia popular não se limita a visões folclorizadas ou passadas. Ao entrelaçar a precisão das rimas com a urgência das pautas feministas e antirracistas, e ao selar essa união com o pensamento de Conceição Evaristo, o coletivo reafirmou que o cordel contemporâneo é um território vivo, que se alimenta respeitosamente da ancestralidade, além de uma potente ferramenta de resistência e protagonismo feminino.

Texto: Graziela Barduco

Fotos: J. P. Rezek, Morena Freitas e Nina Fernandez

 

À Conceição Evaristo

 

Conheci sua escrita

Que me fez iluminar

Em cada palavra dita

Sua obra a me guiar

Conceição é infinita

Tanta coisa a me inspirar

 

Mulher forte, tão sublime

Tanta garra, tanta luz

Um olhar que tudo imprime

Numa escrita que seduz

Na poesia que exprime

Uma força que conduz

 

Vem da dor vivenciada

Uma voz que não se cala

Na escrita eternizada

Pelo mundo ela se instala

Nessa luta já travada

Tanta potência na fala

 

Evaristo, Conceição

É guerreira, resistência

Na profunda inspiração

Brilha assim a sua essência

Com a voz do coração

Ensinou-me “escrevivência”.

 

Graziela Barduco

 

 

 

16 maio

O perigo da desinformação diante da violência contra as mulheres

“O machismo desconhece
Paridade feminina,
Produzindo estereótipos
E o gênero discrimina,
Fomentando hostilidade
E mais vidas, extermina.”

Vivemos em um país onde mulheres continuam morrendo todos os dias vítimas da violência de gênero. Ainda assim, em pleno 2026, homens públicos seguem utilizando sua fama, seu alcance e seu poder simbólico para desacreditar vítimas, negar dados oficiais e espalhar desinformação sobre um problema social gravíssimo.
Recentemente, um ator de projeção nacional decidiu questionar publicamente a violência sofrida por milhares de mulheres brasileiras. Diante das câmeras, relativizou feminicídios, desconsiderou a dor de famílias enlutadas e, de maneira irresponsável, inverteu a lógica da violência ao insinuar que as vítimas seriam também responsáveis pelas agressões sofridas.

O mais preocupante é perceber como discursos dessa natureza continuam encontrando espaço, audiência e legitimidade. Em nome da defesa da “família”, da “moral” ou até mesmo de valores religiosos, perpetuam-se narrativas que silenciam vítimas e reforçam estruturas patriarcais historicamente violentas.
Os números, no entanto, são incontestáveis. Somente nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 258 feminicídios — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. No mesmo período, houve 671 tentativas de feminicídio, cerca de 11 por dia. Em aproximadamente 80% dos casos, os autores são companheiros ou ex-companheiros, e a maioria dos crimes acontece dentro de casa, espaço que deveria representar proteção, mas que para muitas mulheres se transforma em território de medo.
Há ainda outro dado impossível de ignorar: mulheres negras seguem sendo as principais vítimas dessa violência, revelando como machismo e racismo estrutural caminham juntos no Brasil.

Diante dessa realidade, é alarmante assistir figuras públicas utilizando seus microfones para disseminar mentiras em vez de contribuir para o enfrentamento da violência. A palavra pública tem peso, influencia comportamentos e ajuda a construir imaginários sociais. Quando usada de forma irresponsável, ela também mata.
Questionar a violência contra as mulheres não é exercício de pensamento crítico. É desumanização.
Basta pesquisar. Os dados estão disponíveis. A realidade é dura, cruel e muito distante das narrativas criadas para proteger privilégios e desacreditar vítimas.

Para ampliar esse debate, recomendo a leitura do primeiro cordel do Coletivo Teodoras do Cordel, Justiça Violada, obra coletiva que discorre sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, publicada pela Cordelaria Castro, com capa da xilogravurista Nireuda Longobardi.


Outra leitura importante é O Lugar da Mulher, texto que convida a sociedade a refletir sobre a realidade social das mulheres em nosso país. A obra conta com capa e ilustrações de Luisa Viveiros e também foi publicada pela Editora Filoczar.

Espero que gostem das indicações.

Um abraço,

Lu Vieira

23 mar

Quando uma mulher escreve, inscreve outras no mundo

Quando uma mulher escreve, inscreve outras no mundo
Quando uma mulher escreve, ela não apenas registra palavras — ela inscreve outras mulheres no mundo.
Neste mês marcado pela luta por direitos das mulheres, gostaria de me permitir celebrar conquistas e avanços. No entanto, a realidade impõe um peso difícil de ignorar: o número de feminicidio segue crescendo, e mais mulheres continuam a padecer sob as mãos violentas de um sistema patriarcal que insiste em se manter retrógrado.

Ao escrever o livro O Lugar da Mulher, organizei em versos de cordel os muitos impedimentos que atravessam e dificultam a trajetória social das mulheres. Mais do que denunciar, o livro também nasce como um chamado — um convite urgente para que a sociedade se una em defesa das vidas femininas.

“Chega de tanta matança,
ninguém irá nos parar,
nossa história de poder
o tempo irá propagar.
A sabença feminina
é legado secular.”

Diante de tantas potências, saberes e contribuições femininas — na saúde, na literatura, na educação, na arte, na política e em tantas outras áreas — é profundamente lamentável que ainda precisemos gastar energia combatendo violências alimentadas por uma cultura patriarcal que insiste em desumanizar corpos femininos.

Seria muito mais valioso, para toda a sociedade, se acompanhássemos diariamente quantas mulheres revolucionam a ciência, transformam comunidades, escrevem histórias e ampliam horizontes. Se, em vez da dor, acumulássemos manchetes que celebrassem vitórias femininas.
Porque quando uma mulher vence, ela não vence sozinha: ela carrega consigo sua família, sua cidade, seu povo e sua ancestralidade.
Neste mês de março, queremos inspirar, emocionar, formar e nutrir a humanidade com boas novas sobre as mulheres. Precisamos de mudanças profundas e estruturais para garantir que possamos seguir vivas — e felizes.

Acreditamos, enquanto coletivo, que o mundo pode se tornar melhor quando passar a olhar para as mulheres com mais generosidade. Um grande passo será começar a valorizar suas produções, ler suas obras e ecoar suas vozes.

Como sugestão de leitura, nosso clube, destaca os cordéis: “Priscila Siqueira- a força Feminina” de Rose Teles- “O Lugar da Mulher” de Lu Vieira- “O machista e a cordelista” de Graziela e Barduco e “A luta contra violência feminina” em cordel de Daniela Almeida

Com carinho, Lu Vieira

02 fev

Vem teodorar!

Olá amores e amoras, que gostam de literatura de cordel. Essa coluna tem como foco lhes apresentar obras escritas por mulheres. Os cordéis indicados são escritos por parceiras e por participantes do nosso coletivo. Falaremos também das nossas publicações coletivas, que são: Justiça Violada, Mulheres Negras que marcaram a história, Mulheres indígenas que marcaram a história, Pagu- mulher revolução, Maria das Neves Batista Pimentel- a mãe do Cordel e Minha voz ecoa grito, da minha ancestralidade-sabenças das Teodoras. Mas, antes da nossa dica de leitura, convido vocês a cantar conosco essa cantiga que escrevi, para narrar um pouco da história de nosso coletivo, que nasceu em 2020 e segue fazendo verso e cuidando do Cordel, patrimônio imaterial brasileiro.

Vem teodorar
Vem teodorar

Nessa terra paulistana
Na arte que dela emana
Vamos juntas verserjar

Vem teodorar
Vem teodorar

Fazer verso bem feito
Assim do nosso jeito
Para o Cordel salvaguardar

Vem teodorar
Vem teodorar

A mulher é nosso mote
Nossa arte é suporte
Para o mundo enfrentar

Vem teodorar
Vem teodorar

Cultivamos a cultura
Fazemos literatura
Nossa arte é secular

Vem teodorar
Vem teodorar

Somos mulheres da arte
O Cordel é o estandarte
Que vamos exaltar

Vem teodorar
Vem teodorar
Agora que teodoramos, vamos a dica de leitura:
Minha voz ecoa grito, Da minha ancestralidade- Sabenças das Teodoras ( Editora Selo Pé no Chão)

Sobre a obra:
As mulheres contam histórias há séculos, em volta das fogueiras, ao lavar roupas ou cozinhando, em seus afazeres cotidianos as narrativas vão se entrelaçando a vida. Só na era do Iluminismo foi permitido que elas entrassem nesta seara do conhecimento. Apesar das restrições de acesso à leitura e à escrita, a mulher sempre foi parte importante da história da literatura, seja, como vilãs, heroínas ou bruxas, sempre descritas pelo olhar do homem. Foi assim que o mundo conheceu a icônica Sherazade que com sua narrativa eloquente e fascinante conseguiu romper com um ciclo de violência. Essa personagem lendária advinda do livro ”As Mil e uma Noites”, uma das mais famosas obras da literatura árabe, faz parte das poucas heroínas criadas por homens, que 3 edifica a sabedoria feminina. Apesar de algumas personagens serem idealizadas de formas positivas pela sociedade em livros clássicos, precisa-se também acessar a literatura pela voz da mulher, sem idealizações negativas ou com exageros de qualificações.Precisamos dar lugar de fala a quem vive na pele o que é ser uma mulher, apenas um ser humano, que erra ou acerta, dona de suas escolhas. E inspiradas por histórias de mulheres reais como a primeira cordelista brasileira “Maria das Neves Batista Pimentel”, ou personagens da literatura como Sherazade e a sábia Teodora, ecoaremos em nossos versos as sabenças familiares que nos inspiraram com sua força, originalidade, garra e vontade de transformar o mundo.
Boa leitura e vamos Teodorar, pessoal!

Abraços,

Lu Vieira – escritora

26 jan

Conexão feminina na Literatura de Cordel

Teodoras do Cordel Artevistas de São Paulo, casulo de escrita para mulheres, espaço de transformação e continuidade da história do Cordel. Cordel literatura brasileira que conta o ontem e o hoje, com primazia e respeito à originalidade do povo brasileiro.
Em 2025 estivemos em espaços importantes para literatura como o projeto BiblioSesc que leva livros e afetos para lugares longínquos da cidade de São Paulo. Também participamos da FLIP 2025, como convidadas dos parceiros Cordel Cantante e no palco do Sesc Santa Rita apresentamos os versos do nosso mais recente lançamento ” Minha voz ecoa grito Da minha ancestralidade-sabenças das Teodoras. Fizemos uma linda apresentação no Sarau Palavra de Mulher da Editora Feminas.
Tivemos um ano movimentado, com excelentes projetos, muitas parcerias e transformações. Nosso elenco se reestruturou ,mas o propósito segue firme.
Estamos em constante processo de escrita e dispostas a alçar novos voos.
Nosso lema é espalhar versos de cordel por todos espaços, garantindo em cada publicação pautas que anunciem e evidenciem a mulher e suas conquistas.
Fomos agraciadas com lindos projetos neste ano que se finda. E reafirmamos aqui nosso compromisso com o Cordel patrimônio imaterial brasileiro e com as pautas femininas.

“Cada passo que me leva
Em direção ao futuro
Me mostra que é seguro
Dar as mãos a quem te eleva
Ser mulher que não releva
Despeito e desigualdade
Luto com capacidade
Escrevo, logo reflito
Minha voz ecoa grito
Da minha ancestralidade”

Obrigada a quem esteve conosco e damos boas vindas as novas parcerias.

Um abraço afetuoso!

Lu Vieira, Teodoras do Cordel Artevistas SP.

09 out

Carta de lançamento do meu novo site

Por que estou lançando um site?

Durante minha caminhada, já criei protótipos de espaços virtuais com o desejo de apresentar meu trabalho artístico de forma mais estruturada. Sempre senti que minha arte poderia ir além, alcançar mais pessoas, e também expressar uma formalidade profissional.

Com os convites para participar de palestras e oficinas — que são ao mesmo tempo desafiadores e muito prazerosos — surgiu a necessidade de organizar tudo de maneira mais visível, interativa e acessível.

Em outras tentativas, tentei criar páginas para comercializar meus livros, algo que já faço pelo WhatsApp e Instagram. Mas faltava um espaço que reunisse essas vendas e, como fui eu mesma quem fez, não tinha o conhecimento técnico necessário para criar uma navegação profissional e que abarcasse outras pontas.

Agora, com esse novo site, consegui reunir tudo: os livros e cordéis à venda, fotos de atividades que participei, descrições detalhadas das palestras, oficinas e apresentações artísticas, links para minhas músicas nas plataformas digitais, agenda de eventos e muito mais.

Além disso, integrei a coluna que mantenho no site das Teodoras do Cordel, onde publico poesias, críticas, prosas e outros textos. Com isso, também fortaleço o coletivo feminino, divulgando e ampliando nossa voz.

Este site nasce como um apoio para divulgar ideias, conhecimentos e experiências que desejo compartilhar com todas e todos vocês.
Agradeço especialmente à Juliana Vitória, da marca VT Digital, pela direção e construção do site. Ela acolheu cada sugestão minha e trouxe ideias que deixaram tudo com a minha cara.


Aguardo sua visita com carinho!

Acesse: https://mariaclarapsoa.com.br/

19 ago

Bodas de Ouro em Poesia: Um Cordel de 50 Anos de Amor

Fui convocada para um trabalho muito especial e que particularmente amo fazer: transformar uma história de amor de 50 anos em poesia.

Ana Carolina e Fábio, nora e filho do casal Val e Reinaldo, me procuraram com uma ideia linda e original: presentear os dois com um cordel feito sob medida, celebrando suas bodas de ouro. Um presente único, cheio de afeto e significado.
Com muito carinho, mergulhei na história desse casal inspirador e escrevi em versos de 36 estrofes em septilhas, o que foi vivido com amor, resiliência e companheirismo ao longo de meio século.

O cordel ganhou vida em uma grande placa, entregue como surpresa no dia da festa. E que surpresa! Teve riso, teve lágrima, teve emoção transbordando por todos os lados.

Agora, essa trajetória de amor está registrada em poesia e exposta para que filhos, netos e as próximas gerações possam se inspirar na força desse laço tão bonito.

Val e Reinaldo, obrigada por me permitirem contar essa história. E a Ana Carolina e Fábio, obrigada pela confiança nesse presente que, com certeza, ficará marcado para sempre na vida deles e na minha também!

Confira abaixo, um trechinho dessa história que escrevi com muito carinho!

Era uma vez uma história
Daquelas de inspirar
De Reinaldo e Valdelisa
Um amor de encantar
50 anos de história
Tatuados na Memória
Um amor além do mar!

Há muitos anos atrás
O Reinaldo se encantou
Por uma moça faceira
Que do nada ele “topou”
Reluzia como a lua
Jogava vôlei na rua
Seu coração disparou!

Na cidade de São Paulo
Bairro Planalto Paulista
Ele voltava da escola
E investiu na conquista
Despertando algo a mais
Em encontros causais
Tardes a perder de vista!

Ele tinha dezesseis
Ela treze, uma menina!
Mas paixão já despertava
Acendeu-se a lamparina
O cortejo do rapaz
Sua investida sagaz
Brilhou como purpurina.

No ano de Sessenta e sete
O pedido de namoro
No portão da casa dela
Coração batia em coro
Tudo fluiu em firme tom
Mas, beijar que era bom
Demorou, haja decoro!

Só depois de quatro meses
Que o beijo aconteceu
No escurinho do cinema
Tão ágil, como Orfeu
Lembrou de conselhos sábios
Reinaldo beijou os lábios
Da amada, um apogeu!

Ele, muito extrovertido
Ela, jovem sonhadora
“WONDERFULL WORLD” era
Canção unificadora
Desses jovens namorados
Que seguiam animados
Paixão avassaladora!

No ano de Setenta e três
O noivado acontece
Bem na casa dos pais dela
Todo mundo comparece
Pais do noivo solicitam
A mão da noiva e incitam
A união pedida em prece…

28 fev

Predadores de Almas

Fevereiro passou voando e abocanhou meus dedos, como as gaivotas de Haia, quando estamos distraídos com um sanduíche de arenque nas mãos, nos arredores do parlamento holandês.
Meus dedos continuam aqui, porém feridos pelas bicadas famintas daqueles que não deveriam ser predadores de humanos.
É desta forma que percebo minha alma, por vezes abocanhada ao ter contato com determinadas pessoas.
Não são as chamadas pessoas tóxicas, tão em voga na contemporaneidade, mas são indivíduos que por vezes emitem comportamentos dúbios, eu não diria indecifráveis porque há a possibilidade de constatarmos a intenção por de trás de diversos gestos, contudo ambíguos e sedentos de controvérsia.
Eu apenas observo, vez ou outra interajo sem que necessariamente intente em acatar alguma carga da negatividade que exaspere de uma língua afiada (e quase bífida), a destilar seu veneno, eu não diria mortal, mas certeiro.
Sim, somos seres falhos e confusos, e mesmo que minhas mazelas insistam em me empurrar buraco abaixo, venho trabalhando a escuta seletiva, na realidade eu substituiria “escuta” por “interação”, pois herdei a boa audição de minha avó paterna e a perspicácia de negociação de minha avó materna, de modo que escuto, mas reluto em absorver o fardo que chega a mim.
Mas ele chega, imponente e entrão. E eu mentiria se dissesse que este pessimismo exacerbado e reclamão na verdade não me afeta.
Porém, sigo dia a dia, olhando mais adiante, buscando tirar esta minha autoestima flutuante de sua corda bamba e estancando os jorros das feridas de meu coração.

Bora de poesia, para afagar a alma e acalentar o coração dentro do peito,

Vez ou outra, no escuro
Na garganta sinto um nó
Quase vou sentindo dó
Deste lado obscuro
E persisto, eu me procuro
Vou buscando o “eu” contido
Mesmo sem fazer sentido
Eu insisto em me encontrar
Para me fazer lembrar
De meu coração partido.

Um abraco,
Graziela Barduco

28 jan

Simples Assim…

A vida costumava ser sórdida, quando eu me depara com os atropelos constantes do dia a dia, que, para baixo, insistiam em me arrastar. Nos últimos dias eu estava simplesmente buscando um assunto qualquer, sobre o qual eu pudesse escrever neste artigo, desta minha coluna que é de denúncia, desabafo, desafogo e alívio das mazelas da vida, bem como um espaço para colocar as dores em palavras, em busca da cura através da poesia. Porém, pela primeira vez na vida, eu não tenho absolutamente nada do que reclamar. E é tão, mas tão estranho e surreal estar bem e feliz, que é algo que chega a me incomodar (pronto, achei do que reclamar), mas é simplesmente bizarro não estarmos preparados para a chegada de uma vida plena, embora seja para isso que batalhamos desde que começamos a respirar.
Acredito que a maturidade está aos poucos me trazendo a calma da qual eu precisava para não me desesperar. O ritmo da respiração que eu precisava para não ter crises de pânico. O desapego pelo que é supérfluo, ou fora do meu controle, que eu precisa para permitir-me não deprimir. E claro! Os anos de terapia tão necessarios para que eu pudesse finalmente aprender a lidar com minhas fraquezas, falhas e vulnerabilidades. E assim é a vida. Assim está a vida. Assim gira a vida. De modo que, as voltas que ela dá, uma hora passam a nos embalar, nos trazendo paz e serenidade para, cada qual, em frente continuar.

E bora de poesia!

Adentrei com intensidade
Sob a luz de outra estrada
Pois pensei, tão desastrada
Que pra mim pesou a idade
Mas descubro a habilidade
De sentir-me desprendida
Quando o fim virou partida
Pra diversos recomeços
Sem temer tantos tropeços
Para assim gozar a vida.

Feliz 2025!
Com carinho,
Graziela Barduco

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