Quando uma mulher escreve, inscreve outras no mundo
Quando uma mulher escreve, ela não apenas registra palavras — ela inscreve outras mulheres no mundo.
Neste mês marcado pela luta por direitos das mulheres, gostaria de me permitir celebrar conquistas e avanços. No entanto, a realidade impõe um peso difícil de ignorar: o número de feminicidio segue crescendo, e mais mulheres continuam a padecer sob as mãos violentas de um sistema patriarcal que insiste em se manter retrógrado.

Ao escrever o livro O Lugar da Mulher, organizei em versos de cordel os muitos impedimentos que atravessam e dificultam a trajetória social das mulheres. Mais do que denunciar, o livro também nasce como um chamado — um convite urgente para que a sociedade se una em defesa das vidas femininas.

“Chega de tanta matança,
ninguém irá nos parar,
nossa história de poder
o tempo irá propagar.
A sabença feminina
é legado secular.”

Diante de tantas potências, saberes e contribuições femininas — na saúde, na literatura, na educação, na arte, na política e em tantas outras áreas — é profundamente lamentável que ainda precisemos gastar energia combatendo violências alimentadas por uma cultura patriarcal que insiste em desumanizar corpos femininos.

Seria muito mais valioso, para toda a sociedade, se acompanhássemos diariamente quantas mulheres revolucionam a ciência, transformam comunidades, escrevem histórias e ampliam horizontes. Se, em vez da dor, acumulássemos manchetes que celebrassem vitórias femininas.
Porque quando uma mulher vence, ela não vence sozinha: ela carrega consigo sua família, sua cidade, seu povo e sua ancestralidade.
Neste mês de março, queremos inspirar, emocionar, formar e nutrir a humanidade com boas novas sobre as mulheres. Precisamos de mudanças profundas e estruturais para garantir que possamos seguir vivas — e felizes.

Acreditamos, enquanto coletivo, que o mundo pode se tornar melhor quando passar a olhar para as mulheres com mais generosidade. Um grande passo será começar a valorizar suas produções, ler suas obras e ecoar suas vozes.

Como sugestão de leitura, nosso clube, destaca os cordéis: “Priscila Siqueira- a força Feminina” de Rose Teles- “O Lugar da Mulher” de Lu Vieira- “O machista e a cordelista” de Graziela e Barduco e “A luta contra violência feminina” em cordel de Daniela Almeida

Com carinho, Lu Vieira

Lu Vieira

Lu Vieira é cordelista, professora, mediadora de leitura e membro do coletivo feminino Teodoras do Cordel Artevistas SP.