“O machismo desconhece
Paridade feminina,
Produzindo estereótipos
E o gênero discrimina,
Fomentando hostilidade
E mais vidas, extermina.”
Vivemos em um país onde mulheres continuam morrendo todos os dias vítimas da violência de gênero. Ainda assim, em pleno 2026, homens públicos seguem utilizando sua fama, seu alcance e seu poder simbólico para desacreditar vítimas, negar dados oficiais e espalhar desinformação sobre um problema social gravíssimo.
Recentemente, um ator de projeção nacional decidiu questionar publicamente a violência sofrida por milhares de mulheres brasileiras. Diante das câmeras, relativizou feminicídios, desconsiderou a dor de famílias enlutadas e, de maneira irresponsável, inverteu a lógica da violência ao insinuar que as vítimas seriam também responsáveis pelas agressões sofridas.
O mais preocupante é perceber como discursos dessa natureza continuam encontrando espaço, audiência e legitimidade. Em nome da defesa da “família”, da “moral” ou até mesmo de valores religiosos, perpetuam-se narrativas que silenciam vítimas e reforçam estruturas patriarcais historicamente violentas.
Os números, no entanto, são incontestáveis. Somente nos dois primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 258 feminicídios — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. No mesmo período, houve 671 tentativas de feminicídio, cerca de 11 por dia. Em aproximadamente 80% dos casos, os autores são companheiros ou ex-companheiros, e a maioria dos crimes acontece dentro de casa, espaço que deveria representar proteção, mas que para muitas mulheres se transforma em território de medo.
Há ainda outro dado impossível de ignorar: mulheres negras seguem sendo as principais vítimas dessa violência, revelando como machismo e racismo estrutural caminham juntos no Brasil.
Diante dessa realidade, é alarmante assistir figuras públicas utilizando seus microfones para disseminar mentiras em vez de contribuir para o enfrentamento da violência. A palavra pública tem peso, influencia comportamentos e ajuda a construir imaginários sociais. Quando usada de forma irresponsável, ela também mata.
Questionar a violência contra as mulheres não é exercício de pensamento crítico. É desumanização.
Basta pesquisar. Os dados estão disponíveis. A realidade é dura, cruel e muito distante das narrativas criadas para proteger privilégios e desacreditar vítimas.
Para ampliar esse debate, recomendo a leitura do primeiro cordel do Coletivo Teodoras do Cordel, Justiça Violada, obra coletiva que discorre sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, publicada pela Cordelaria Castro, com capa da xilogravurista Nireuda Longobardi.

Outra leitura importante é O Lugar da Mulher, texto que convida a sociedade a refletir sobre a realidade social das mulheres em nosso país. A obra conta com capa e ilustrações de Luisa Viveiros e também foi publicada pela Editora Filoczar.

Espero que gostem das indicações.
Um abraço,
Lu Vieira