A “bunita” dos velejadores, que já publicou cerca de 5 obras, com sua última obra em mãos, que saiu pela Companhia das Letras e a qual está no topo da lista dos mais vendidos do Brasil, pediu para que parassem de comprar seu livro, alegando que já há muitos exemplares dele circulando pelo país, “preocupada” com as questões climáticas e o impacto “negativo” do livro para o meio ambiente. Naquele momento, eu que estava em uma semana de feira literária, ao lado de mais de centenas de autores que, assim como eu, pagam seus boletos para sobreviver, de maneira que vender essas nossas iguarias é uma parte significativa da renda para conseguirmos comer o nosso arroz com feijão de todo dia, me senti a maior mentecapta, energúmena, parva e inútil do universo! Então, tocou o interfone lá em casa e João foi atender. E eis que Ivanildo o comunica que há um pacote de livro na portaria, que está sem identificação de destinatário, mas que como eu sou a única do prédio que compra livros, provavelmente o pacote era para mim. DETALHE: eu sou a ÚNICA do prédio que compra livros!!!!! Prédio este com 13 andares, 4 apartamentos por andar e em média 3 pessoas por apartamento! Faz as contas… Isso no meu humilde microcosmos, repleto de pessoas com um alto poder aquisitivo, pq se você vai à garagem de meu prédio, o meu carro é o único velho de 2001 que se encontra por lá (aliás, amooo meu carro, não dá problema e não pago IPVA por ser isento), até porsche tem por lá, mas livros? Ninguém compra! Eu sou a única da vizinhança que compra livros ou pelo menos que compra livros com uma certa frequência. Enfim… João desceu à portaria para averiguar e, ao encontrar no pacote em questão, em uma etiqueta, as palavras: “Livro Pablo Marçal”, constatou que aquele livro definitivamente NÃO havia sido uma aquisição minha! Ahhh, então mais alguém compra livros no meu prédio! Ufa, não sou a única! NÃO!! Espera… Pablo Marçal? Socorrooo!! Por favor, pare o mundo que eu quero descer!!

📌 Em tempo: comprem meus livros e os livros de meus companheiros e companheiras de estrada! Aliás, comprem livros! Nós precisamos disso e vocês também precisam!

 

Ao sentar, buscando a calma

Me entreguei àquela brisa

Que tão cedo já me avisa

Estendendo então a palma

Que meu verso vem com alma

E não há como mudar

Sem querer me rotular

Mas mostrar o meu estilo

Minha essência eu assimilo

Pra não mais querer mudar

 

Por mil vezes fui aflita

Sem querer cá me aceitar

Dia e noite a me julgar

Criticando minha escrita

Mas em mim, meu texto grita

Procurando assim sair

Antes do meu desistir

Se lançando, tão selvagem

Mesmo pra ficar à margem

E seu caminho cumprir.

 

Graziela Barduco

 

Graziela Barduco