Olá amores e amoras, que gostam de literatura de cordel. Essa coluna tem como foco lhes apresentar obras escritas por mulheres. Os cordéis indicados são escritos por parceiras e por participantes do nosso coletivo. Falaremos também das nossas publicações coletivas, que são: Justiça Violada, Mulheres Negras que marcaram a história, Mulheres indígenas que marcaram a história, Pagu- mulher revolução, Maria das Neves Batista Pimentel- a mãe do Cordel e Minha voz ecoa grito, da minha ancestralidade-sabenças das Teodoras. Mas, antes da nossa dica de leitura, convido vocês a cantar conosco essa cantiga que escrevi, para narrar um pouco da história de nosso coletivo, que nasceu em 2020 e segue fazendo verso e cuidando do Cordel, patrimônio imaterial brasileiro.
Vem teodorar
Vem teodorar
Nessa terra paulistana
Na arte que dela emana
Vamos juntas verserjar
Vem teodorar
Vem teodorar
Fazer verso bem feito
Assim do nosso jeito
Para o Cordel salvaguardar
Vem teodorar
Vem teodorar
A mulher é nosso mote
Nossa arte é suporte
Para o mundo enfrentar
Vem teodorar
Vem teodorar
Cultivamos a cultura
Fazemos literatura
Nossa arte é secular
Vem teodorar
Vem teodorar
Somos mulheres da arte
O Cordel é o estandarte
Que vamos exaltar
Vem teodorar
Vem teodorar
Agora que teodoramos, vamos a dica de leitura:
Minha voz ecoa grito, Da minha ancestralidade- Sabenças das Teodoras ( Editora Selo Pé no Chão)

Sobre a obra:
As mulheres contam histórias há séculos, em volta das fogueiras, ao lavar roupas ou cozinhando, em seus afazeres cotidianos as narrativas vão se entrelaçando a vida. Só na era do Iluminismo foi permitido que elas entrassem nesta seara do conhecimento. Apesar das restrições de acesso à leitura e à escrita, a mulher sempre foi parte importante da história da literatura, seja, como vilãs, heroínas ou bruxas, sempre descritas pelo olhar do homem. Foi assim que o mundo conheceu a icônica Sherazade que com sua narrativa eloquente e fascinante conseguiu romper com um ciclo de violência. Essa personagem lendária advinda do livro ”As Mil e uma Noites”, uma das mais famosas obras da literatura árabe, faz parte das poucas heroínas criadas por homens, que 3 edifica a sabedoria feminina. Apesar de algumas personagens serem idealizadas de formas positivas pela sociedade em livros clássicos, precisa-se também acessar a literatura pela voz da mulher, sem idealizações negativas ou com exageros de qualificações.Precisamos dar lugar de fala a quem vive na pele o que é ser uma mulher, apenas um ser humano, que erra ou acerta, dona de suas escolhas. E inspiradas por histórias de mulheres reais como a primeira cordelista brasileira “Maria das Neves Batista Pimentel”, ou personagens da literatura como Sherazade e a sábia Teodora, ecoaremos em nossos versos as sabenças familiares que nos inspiraram com sua força, originalidade, garra e vontade de transformar o mundo.
Boa leitura e vamos Teodorar, pessoal!

Abraços,
Lu Vieira – escritora