O Coletivo Teodoras do Cordel participou de um sarau muito especial e ‘glamoroso’ realizado no espaço Petra Belas Artes, a convite da Revista Ruído Manifesto. A apresentação das cordelistas foi dedicada a grande cantora Gal Costa que partiu para os planos celestiais no último dia 9 de novembro.
Representatividade Negra no Cordel

Olá leitores e leitoras,
Novembro chega evocando o chamado para reverenciarmos nossa ancestralidade negra, renovarmos nossas forças pela luta antirracista, por mais políticas inclusivas, por mais acesso a emprego, educação e vida.
E principalmente para reverenciar Dandara, Zumbi e todas as lideranças negras brasileiras, que militaram pela liberdade.
Sabendo que a literatura é um espaço de luta e de demarcação de espaços, trago-lhes hoje essa indicação. O cordel “Mulheres Negras que marcaram a história” é uma obra coletiva, escrita com imenso respeito e que busca de forma carinhosa celebrar a vida e obra de Mulheres que são para as escritoras fontes de inspiração.
O Coletivo Teodoras do Cordel -artevistas SP, tem como propósito apresentar ao público leitor, através da escrita, trajetórias femininas que foram invisibilizadas ao longo da história pela cultura machista, racista e excludente.
Foi com esse lema que 16 Cordelistas versejaram sobre a vida de Mulheres Negras, mostrando sua representatividade para sociedade brasileira.
Nesse humilde versejar
Com firmeza e inteligência,
Mostrando a sociedade
A grandeza e a potência,
De muitas mulheres negras
Que o Brasil negou essência
Nesses versos de Cordel
Queremos apresentar,
As Mulheres brasileiras
Que o mundo tentou calar,
Mas a força feminina
Sempre irá se revelar
Espero que gostem da indicação e que todos e todas inspirem-se com as representatividades negras eternizadas em nossa escrita.
Boa Leitura
Lu Vieira
Dia do Cordelista

Olá queridos leitores e queridas leitoras!
Hoje quero falar sobre a temática principal pela qual estou inserida neste coletivo tão forte e valoroso que hoje considero minha família e no qual faço, com muito amor, minha mais linda morada: no dia 19 de Novembro é comemorado o Dia do Cordelista!
Ser cordelista, mais do que desenvolver e honrar um ofício, para além de respeitar as tradições e todo um jeitinho próprio de brincar, e trabalhar as palavras, é atender um chamado. É embarcar num sonho de poder bailar pela arte das palavras que precisam de um jeito próprio para serem ajuntadas a fim de se contar uma história.
É ser tocada e deixar-se tocar pela mais sublime arte da palavra rimada, ritmada e metrificada. É trabalho sério com leveza e engajamento de alma. É amor eterno e compromisso pra toda uma vida. É a gostosura de ser, a complementariedade do fazer e a plenitude do estar.
E vamos de décima, formato tão utilizado pelos cordelistas queridos que conheci nesta caminhada e que tanto me ensinaram e continuam a me ensinar:
Eu dizia o indizível
Quando quis desafogar
E parti para buscar
Um lugar menos sofrível
Onde a paz fosse acessível
Querendo me recompor
E curar-me deste ardor
Procurar seguir em frente
Com o peito resistente
Esqueci-me então da dor.
Um abraço bem apertado,
Graziela Barduco.
Ao outubro

O mês de outubro tem
Muitas comemorações,
A nossa Mãe Padroeira
Cura nossos corações,
E o dia das Crianças
Nos trás as recordações.
Também não nos esqueçamos
Mulheres deste Brasil,
Dos cuidados com a mama,
O risco está por um fio.
Auto exame é a solução
Para um cuidado sutil.
Estação da primavera
O tempo do florescer,
Cheio de perfume e cor
Que nos lembra, agradecer,
Vento, sol e chuva tem
Na medida do prazer.
Varre, ó vento de nós
toda essa nossa dor,
Brilhe sobre nós , ó sol
Cubra-nos com seu calor,
Purifica-nos, ó chuva
Com suas lágrimas de amor!
Entre o peso e a leveza do mundo

Entre o peso e a leveza do mundo, acordo minhas crias, ajudo elas a escolherem suas vestimentas, preparo o café da manhã. Entre o peso e a leveza do mundo, grávidas em situação de risco, estão com baixo peso, por não conseguirem comprar alimentos que tenham qualidade nutricional.
Entre o peso e a leveza do mundo, minha bebê mama em meu seio em praça pública, consigo deixar minhas outras meninas na escola com a roupa que elas escolheram. Entre o peso e a leveza do mundo, uma jovem iraniana é morta por não usar o hijab (véu islâmico), deixar seu cabelo a mostra e isso ter sido interpretado como um afronto a moral de seu País.
Entre o peso e a leveza do mundo, arrumo minha casa, lavo os pratos, as roupas, varro os cômodos, faço o almoço, lavo meu quintal, recolho os entulhos, elimino possíveis criadouros de mosquito. Entre o peso e a leveza do mundo, uma nova epidemia de dengue assola o Brasil pela falta de consciência coletiva.
Entre o peso e a leveza do mundo, ouço música, leio um livro, escrevo poemas e cordéis, trabalho em meu computador, pesquiso e leio em fontes honestas sobre o que acontece em meu país. Entre o peso e a leveza do mundo, inúmeros confrontos políticos carregados de fake news e angústias no coração daqueles que propagam falácias.
Entre o peso e a leveza do mundo, faço meus exercícios, busco as pequenas na escola, ajudo-as no banho, dou meus alertas quando elas se desentendem, preparo uma janta gostosa, troco fraldas, leio histórias infantis, oro com elas, canto e as coloco pra dormir. Entre o peso e a leveza do mundo, singelas esperanças.
Coletivo Teodoras celebra 13 anos de Bodega do Brasil

A convite dos promotores culturais do Sarau Bodega do Brasil, o Coletivo feminino Teodoras do Cordel esteve presente na celebração dos 13 anos do projeto que, desde 2009 leva para o Centro de São Paulo, muita arte periférica. Na oportunidade, as integrantes do coletivo apresentou no Saguão de Sociologia e Política no bairro da Vila Buarque em São Paulo, a performance poética da obra Mulheres Negras que Marcaram a História e impactou o público presente.
Confira as fotos do evento:
Feliz Dia do Nordestino

Teu toque

Passando a mão bem quente,
Deslizando até a tua boca.
Um toque fino no teu corpo
Vai me deixando bem louca.
Aquele cheiro que só tu tem
O beijo de língua que convém
Gemendo até ficar rouca.
E o tempo que nem passa
Quando estamos embalados.
Tua voz sussurra baixinho,
Os olhos ficam revirados!
Deixa o perfume na cama;
O desejo se esparrama
E os corações emaranhados.
Maria Clara Psoa
Não estamos sozinhas!

As mulheres brasileiras
Cansaram de padecer,
Pela causa se juntaram
De mãos dadas pra vencer,
Aqui e em todo lugar
Nossas vozes vão crescer.
Nós cantamos e dançamos
Como forma de oração,
Nesta marcha à liberdade
Buscamos inspiração,
Pelos cantos do Brasil
Numa só voz e canção.
A força que nos habita
Nos mantém vivas, munidas,
Tudo que já conquistamos
Transformou as nossas vidas,
Porém o fim está longe
De curar nossas feridas.
Que esse três versos sirvam de inspiração, pois somos muitas e não estamos sozinhas. Sempre há e haverá muitas mãos para segurar a nossa!