As incertezas, as agruras e tudo mais que perturba;
A impaciência, a intolerância, a afobação;
Os confrontos e o agito da alma inquieta,
Em águas mansas, deixa levar.
Deixa levar
As incertezas, as agruras e tudo mais que perturba;
A impaciência, a intolerância, a afobação;
Os confrontos e o agito da alma inquieta,
Em águas mansas, deixa levar.
É o pássaro, é o vento, é o barco que navega,
É o moço que rápido caminha e ofegante transpira.
É o cachorro que na porta da vizinha late e desperta o latido dos cães vizinhos.
É o carro que buzina, é o homem do carro do ovo avisando que está na sua rua.
É o canto do galo que não vive no campo, mas, desperta quem o escuta, ainda que seja no meio da tarde.
É a gritaria das crianças passando na frente de casa, indo para a escola;
É o espirro que anuncia uma possível mudança de tempo.
É o borbulhar da água fervendo batendo no café anunciando o afago que o paladar logo terá.
É o estalo do beijo mais puro e sincero recebido das crias;
É o sussurro carinhoso do seu amor ao pé do ouvido, que arrepia da cabeça até a ponta do pé.
É o tocar das ondas do mar na areia, levando e trazendo poesia a todo momento.
É o coração batendo forte, revelando a imensidade da vida em movimento e sonoridades.
Esse mês de julho é dedicado à luta e resistência da mulher negra, latino-americana e caribenha. À você mulher negra ou descendente, nossa força está crescendo e cada vez somamos mais, mais e mais!
Hoje somos resistência
orgulho-me desta raça,
que tem a força e a garra
há quem ache uma desgraça,
ser preta ou ser descendente
mas meu gene é contundente,
e a tua etnia abraça.
Honramos as ancestrais
lutando contra opressão,
nossas forças são escudos
repelindo a proibição,
e por sermos minoria
tratam-nos com valentia,
por temerem nossa união.
A convite da editora cearense Imeph, o coletivo feminino Teodoras do Cordel Artevistas SP foi um dos grandes destaques do estande Cordel e Repente, na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu de 2 a 10 de julho, no Expo Center Norte, na Zona Norte da capital paulista.
O evento, contou com a participação de 182 expositores e cerca de 500 selos editoriais . Durante a semana, as cordelistas do coletivo expuseram e venderam suas obras coletivas e individuas. O público ainda pode prestigiar a performance artística-literária das autoras em dois momentos: no dia 9 de julho às 13 horas e no encerramento da Bienal, ocorrido no dia 10 de julho às 19 horas. “Em todas as apresentações tivemos um recorde de público e vendemos todo nosso acervo da obra Mulheres Negras que Marcaram a História, publicado pela editora Areia Dourada. Gratidão a editora Imeph pelo convite e a todo o público que esteve presente consumindo a nossa literatura e nos apoiando em nossas performances”, destacou Lu Vieira, cordelista e integrante do coletivo Teodoras.
Confira um trecho do vídeo da participação do coletivo na Bienal 2022:
Veja algumas fotos:
Olá, queridos(as) leitores(as).
Por conta das duas últimas semanas nada fáceis para nós mulheres (não que não passemos por esse tipo de dificuldade todo santo dia de nossas vidas), mas devido aos casos tão emblemáticos e pra lá de pesados, de enorme repercussão nacional dos últimos dias, resolvi compartilhar hoje com vocês um poema, que inclusive dá nome ao meu segundo livro de poesias, o “Lutei Contra 100 Leões – Todos os 100 Eram Jumentos”.
Este poema, que deu origem ao livro, brotou-me em um momento em que eu me via completamente sufocada por comentários e críticas negativas com relação ao que eu vinha produzindo, porém, aos pouquinhos fui observando que tais apontamentos, em sua grande maioria, vinham de homens e alguns deles até mesmo me desencorajando a continuar em meu caminho da escrita que vinha naquele momento se desenhando e se despontando.
Eu cheguei a ficar um tempo travada, acreditando que o que escrevia não tinha valor o suficiente, o que me fez muito mal, já que a escrita sempre me serviu como válvula de escape das mazelas da vida, de modo que não conseguir escrever é um suplício gigantesco sendo aplicado à minha alma.
Foi então que surgiu o poema/décima “Lutei Contra 100 Leões – Todos os 100 Eram Jumentos”, como forma de resposta/volta por cima a tudo isso que eu vinha sofrendo/sentindo. E então a partir dele, surgiu a ideia de encabeçar o livro (homônimo ao poema), para que eu entendesse, de uma vez por todas (sim! eu precisei me convencer disso e o processo não foi fácil), que ninguém, mas NINGUÉM mesmo, vai conseguir me parar!
Pra quem não me conhece, minha pesquisa (de estudo, de trabalho e de vida!) gira em torno da cultura popular brasileira, de modo que recriar, ressignificar e homenagear nossos maravilhosos e maravilhosas poetas (principalmente da região nordeste do país), utilizando as formas e estruturas da poesia popular brasileira, foi o modo que arranjei pra seguir em frente, persistindo, existindo e resistindo, com a principal certeza de que jamais vou deixar alguém me calar!
Lutei contra 100 leões
Todos os 100 eram jumentos
Lutei contra 100 leões
Todos os 100 eram jumentos
Quando em meio aos tormentos
Fui buscar boas lições
Mas só vi aberrações
Que sentiam-se divinas
Boicotando as meninas
Pra sentirem-se potentes
Porém, saibam, seus dementes
Macho nenhum me domina.
Espero, de coração, que gostem.
Um abraço franco e fraterno, e até o nosso próximo encontro!
Graziela Barduco.
Está coluna tem como objetivo mostrar um pouco da minha criação artística.
Sou poeta cordelista,contadora de histórias e orientadora teatral ,adoro navegar em várias expressões artistas.
Vamos trazer para vocês amados leitores:
Mini contos em cordel e em prosa,poemas em cordel e em prosa,poemas livres trovas,limeriques ,haicai rezas,cantos e poemas infantis.
Cleusa Santo.
Olá, Amores e Amoras!
Tenho e enorme satisfação de integrar o time das colunistas Teodoras, Coletivo que projetou minha escrita para o mundo.
Como Professora e Mediadora tenho uma relação de respeito e afeto com a leitura e é esse o propósito de minha coluna, partilhar com vocês sugestões de obras literárias, porém centrando minhas sugestões no ATIVISMO FEMININO CORDELIANO.
A intenção da Coluna Ativismo Feminino Cordeliano é apresentar obras, personagens e cordelistas que escreveram, escrevem e reescrevem a história do Cordel no meio literário. Nosso encontro será mensal. Espero que as dicas aqui postadas possam ampliar seu repertório leitor.
Para iniciar nossa conversa, me apresento em Cordel
Meu nome é Lucineide
Minha história vou contar,
Sou pernambucana e fã
Da cultura popular,
Gosto de livro e leitura
De cantar e de dançar.
Sou militante da arte
Da cultura e educação,
Pesquiso todos os dias
Para encontrar solução,
Do analfabetismo e fome
Que destrói esta nação.
Às vezes me desencanto
Com a realidade atual,
Tanta violência e morte
Por causa do Capital,
Matam árvores e rios
De modo bem natural.
O mundo anda estranho
É difícil suportar,
Busco refúgio nos versos
Do Cordel, para falar,
Da minha dor e alegria
E a vontade de chorar.
Um abraço apertado… Boa Leitura
Lu Vieira
Olá queridos(as) leitores(as)!
Sejam novamente muito bem-vindos(as) à minha coluna mensal neste projeto lindo das Teodoras do Cordel, que tanto amo e que tanto alimenta a minha alma.
Esse conteúdo/poema que hoje compartilho com vocês, escrevi em 2018, depois de uma noite de insônia, mas daquelas insônias boas, de quando você viu ou descobriu algo que o encantou por demais.
Isso se deu após eu ter tido a oportunidade de assistir ao espetáculo solo de dança de uma amiga muito querida, a Maria Eugenia Tita, espetáculo este intitulado “Planta do Pé”, no qual ela faz um passeio por seu amplo repertório acerca das danças tradicionais brasileiras, porém com um olhar contemporâneo, fruto de sua pesquisa de anos nessa área.
Essa artista, filha de pais também artistas, consegue beber da fonte das manifestações culturais brasileiras, de modo a trazer para um novo contexto toda essa riqueza lá encontrada.
O poema que escrevi, inspirado pelo espetáculo e que na ocasião fiquei com vontade de utilizar em uma apresentação que precisaria fazer de um seminário acerca de minha trajetória enquanto artista e pesquisadora, como parte integrante do meu processo de pesquisa de mestrado, pensei em usar como uma espécie de “plano b”, caso eu por um acaso acabasse travando durante a apresentação convencional que eu havia preparado, dadas as circunstâncias de extremo nervosismo e tensão nas quais estava cada vez mais imergindo. Pensando assim, eu pelo menos ficaria mais sossegada para poder apresentar tudo com mais calma, ou melhor, com um pouquinho menos de nervosismo, rs…
Esse “plano B”/poema, resolvi simplesmente chamar de “Trajetória”, e funcionava inclusive como uma forma
mais lúdica de apresentação do passo a passo de minha pesquisa do mestrado. E é ele que apresento aqui para vocês, com muito carinho e com boas recordações do momento em que ele foi concebido:
Trajetória
Outrora tive dúvidas tão selvagens
Sentia o corpo jogado às margens
E a alma um tanto despercebida
Dor mais cruel de minha vida
Cavei um buraco um tanto fundo
Inverti e devastei todo meu mundo
Rabisquei meu diário favorito
Soterrei o que tinha de mais bonito
Eu tinha um sorriso curto
Eu falava tão mais livremente
E a amargura me provocava surto
E o corpo comunicava descrente
Então me vejo tão tímida agora
Eu não era assim, eu fui embora
Ao fugir da arrogância de certo olhar
Meu livre discurso estava a minguar
E me deparo com uma leveza que cura
Com a maravilha de uma alma pura
Mergulho profundo no céu encantado
Saltei do buraco que havia cavado
Meu discurso hoje é movimento
Meu saber está neste mais puro olhar
Trabalho a escuta do pensamento
Compartilho a essência do que é amar
Curtas palavras, longos sorrisos
É desta forma que quero propagar
A delicadeza sem tantos avisos
O ser de verdade e a verdade no estar.
Espero que tenham gostado.
Um abraço bem apertado e até o nosso próximo encontro.
Graziela Barduco.
Cultura vem do Latim (colo, colore), significa cultivar a terra. Ainda hoje observamos esse termo ligado à agricultura, floricultura, conceitos que remete ao lavrar, brotar, produzir algo. Ou seja, cultura está ligada à produção, consequentemente ao trabalho.
Mesmo antes do século XVIII à cultura designamos as idéias da memória, linguagem e identidade. Depois se associou como arte, literatura, ciência e filosofia. Portanto a idéia de cultura nesta forma é fruto da relação da produção e trabalho humano.
Esta idéia de cultura também se associou as distinções estabelecidas entre os indivíduos de uma sociedade. Ou seja, uma distinção social de classe. Divididas entre as pessoas que “tinham” cultura, as cultas, que tinham uma “boa educação” e boas etiquetas. Do outro lado, os trabalhadores que não tinham acesso a educação, considerados assim, os “sem cultura”. Gerando preconceitos e discriminações de classe, que vimos até hoje.
Por isso, esse conceito de cultura foi separado desta produção e trabalho humano. Demarcou ainda mais a divisão das classes sociais, tendo também a divisão do trabalho como determinante. Esse processo acentuado no capitalismo impôs um modo de vida regulador do cotidiano, principalmente dos trabalhadores. Assim, a classe trabalhadora desconhece como classe produtora e se aliena do processo de produção e ver seu parceiro de trabalho como concorrente. A cultura no capitalismo produz então, a competição, o individualismo e a divisão dentro da classe.
Observamos isso em todos os meios de comunicação que disseminam a arte, por exemplo, as novelas, teatro, filmes, reproduzem essa idéia de cultura. A cultura é tratada como mercadoria é vendida para alienar e “divertir” a população. Uma estratégia para amenizar a realidade sentida da exploração dos trabalhadores. Algo que não nos faz pensar e criticar os problemas vividos pelos explorados.
A cultura, assim como saúde, educação, virou só mais um produto para lucrar e ser consumido. Portanto a cultura é reduzida ao cinema, teatro, dança etc. Mas estes são apenas resultado final apresentado no mercado cultural. Cultura é modo de vida, são expressões advindas da produção humana. Tem caráter simbólico, subjetivo, artístico, filosóficos e científicos, trazem noções que norteiam as relações sociais e comportamentos, encontradas em nosso cotidiano. Está presente nas memórias, identidades, faz parte do passado, mas cria, transforma e reinventa o presente e o futuro.
Ah! Como nossos cabelos nos dão trabalhos…os lisos precisam ganhar uns cachos e os cacheados ou crespos pedem uma chapinha seguida de uma boa escova. Porque insistimos em nos escravizar aos padrões de beleza ditados pela fantasia da mídia? A mídia não é vida real e tampouco a retrata.
As vezes é bom sim mudar, uma maquiagem, uma mudança nos cabelos, um corte, uma roupa diferente do nosso estilo usual. Tudo isso nos ajuda a manter a autoestima lá no topo e sim, nos empodera. Mas cuidado! Tornar-mos escravas dessas mudanças tem efeito contrário, não nos fazendo bem.
É tão bom nos amar como somos. Eu sou cacheada e morena, amo quando meus cachos dançam ao vento, mesmo não sendo longos. Já fui loira alisada por um tempo, e quanto gastava com produtos, e não tinha um fio tão saudável ou macio. Já tive cabelo curtinho, tipo Joãozinho, e foi fantástico economizar com cuidados e bastava uns brincos grandes para estar arrumada.
Todas nós somos únicas e cheias de qualidades. Que tal contar um pouco sobre o seu cabelo?
Deixe seu comentário, será um prazer ler e escrever um estrofe para você.
Até breve!