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01 dez

Pertencimento

Olá queridos leitores e queridas leitoras!

Depois de um período de intensas crises de pânico e ansiedade, bravamente contornadas nos últimos dias para conseguir dar conta de toda a agenda e cronograma de trabalho, retorno para casa com calma, depois de intensas vivências em Paraty, na FLIP, e começo com mais uma nova medicação, devido a sequela de uma invasão hacker que sofri no mês passado em minhas redes sociais, atrelada a alguns outros problemas pelos quais venho passando, os quais têm me deixado num estado de intenso sofrimento.
Olhando para minha trajetória de vida, eu chego a conclusão de que sempre fui muito, mas muito diferente de tudo, de todos, sempre fui meio estranha e minha lógica de pensamento sempre foi muito diferente, bem como sempre tive muita dificuldade de seguir padrões, de me encaixar, de me inserir, de me manter em algum determinado grupo ou local.
Hoje vejo que finalmente encontrei no universo do cordel um mundo no qual finalmente posso ser eu mesma, pelo qual me sinto totalmente acolhida e pertencente. Hoje sinto que o cordel é minha casa e as pessoas do cordel são parte da minha família. Ademais, mesmo com todas as minhas inseguranças, fragilidades, extrema sensibilidade e minhas crises, venho tentando levar a vida com leveza e bom humor, embora às vezes pareça tudo muito difícil, complicado e impossível.
Creio que meu maior desejo é que eu consiga manter essa energia de nunca parar de lutar. No mais, que eu aprenda também, de uma vez por todas, a lidar com a frieza e o desdém do outro, que tanto me machucam, que eu entenda que nada do outro eu deva esperar e que eu sempre possa me orgulhar de como sou, e de todo amor e cuidado que trago comigo, e que faço questão de aos outros despender, sem esperar nada em troca. E sobretudo, que eu não deixe nunca, nunquinha, nada mais dessa vida me machucar. Viva o cordel! Viva a cultura popular brasileira!

Novas Cirandas

Eu pensei neste momento
De profunda intensidade
Já com o peso da idade
Resvalando meu tormento
Levantei o acampamento
E parti pra outras bandas
Pra buscar novas demandas
E suprir tanto vazio
Eu me perco no desvio
Só pra achar novas cirandas.

Um grande abraço, com muito carinho a todos,
Graziela Barduco.

28 nov

Feira Literária Internacional de Paraty recebe Teodoras do Cordel

A convite do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o coletivo feminino Teodoras do Cordel Artevistas SP integrou a comitiva paulista de cordelistas e aportou na Feira Literária mais famosa do Brasil, a FLIP.

O cordel, reconhecido em 2018 como Patrimônio Cultural Imaterial, fez parte da programação durante os cinco dias de evento. As atividades aconteceram na Casa Cordel (sede administrativa do IPHAN/RJ) e contou com uma programação diversificada, tendo o cordel feminino como destaque em vários momentos, com a participação das integrantes em diversas mesas de debates, rodas de conversa, performances e lançamentos de livros.

27 nov

Coletivo lança na FLIP nova coletânea em homenagem as mulheres indígenas

O lançamento da terceira obra coletiva do Teodoras, ‘Mulheres Indígenas que Marcaram a História’ (2023 – editora Areia Dourada), durante a FLIP 2022, foi simplesmente incrível. A obra, homenageia 10 mulheres indígenas e brasileiras símbolos de força e resistência. Na oportunidade, o grupo declamou as estrofes do livro revelando de forma performática e respeitosa, toda honra a história de cada mulher guerreira homenageada pelas cordelistas, numa junção de forças simbólicas, cheias de encanto e poder, tal como o encanto dos rios, da terra, do fogo e do ar que respiramos.

Confira as fotos do lançamento na FLIP:

08 nov

Representatividade Negra no Cordel

 

           Olá leitores e leitoras,

Novembro chega evocando o chamado para reverenciarmos nossa ancestralidade negra, renovarmos nossas forças pela luta antirracista, por mais políticas inclusivas, por mais acesso a emprego, educação e vida.

E principalmente para reverenciar Dandara, Zumbi e todas as lideranças negras brasileiras, que militaram pela liberdade.

Sabendo que a literatura é um espaço de luta e de demarcação de espaços, trago-lhes hoje essa indicação. O cordel “Mulheres Negras que marcaram a história” é uma obra coletiva, escrita com imenso respeito e que busca de forma carinhosa celebrar a vida e obra de Mulheres que são para as escritoras fontes de inspiração.

O Coletivo  Teodoras do Cordel -artevistas SP, tem como propósito apresentar ao público leitor, através da escrita, trajetórias femininas que foram invisibilizadas ao longo da história pela cultura machista, racista e excludente.

Foi com esse lema que 16 Cordelistas versejaram sobre a vida de Mulheres Negras, mostrando sua representatividade para sociedade brasileira.

Nesse humilde versejar

Com firmeza e inteligência,

Mostrando a sociedade

A grandeza e a potência,

De muitas mulheres negras

Que o Brasil negou essência

 

Nesses versos de Cordel

Queremos apresentar,

As Mulheres brasileiras

Que o mundo tentou calar,

Mas a força feminina

Sempre irá se revelar

Espero que gostem da indicação e que todos e todas inspirem-se com as representatividades negras eternizadas em nossa escrita.

Boa Leitura

Lu Vieira

06 nov

Dia do Cordelista

Olá queridos leitores e queridas leitoras!

Hoje quero falar sobre a temática principal pela qual estou inserida neste coletivo tão forte e valoroso que hoje considero minha família e no qual faço, com muito amor, minha mais linda morada: no dia 19 de Novembro é comemorado o Dia do Cordelista!

Ser cordelista, mais do que desenvolver e honrar um ofício, para além de respeitar as tradições e todo um jeitinho próprio de brincar, e trabalhar as palavras, é atender um chamado. É embarcar num sonho de poder bailar pela arte das palavras que precisam de um jeito próprio para serem ajuntadas a fim de se contar uma história.

É ser tocada e deixar-se tocar pela mais sublime arte da palavra rimada, ritmada e metrificada. É trabalho sério com leveza e engajamento de alma. É amor eterno e compromisso pra toda uma vida. É a gostosura de ser, a complementariedade do fazer e a plenitude do estar.

E vamos de décima, formato tão utilizado pelos cordelistas queridos que conheci nesta caminhada e que tanto me ensinaram e continuam a me ensinar:

Eu dizia o indizível
Quando quis desafogar
E parti para buscar
Um lugar menos sofrível
Onde a paz fosse acessível
Querendo me recompor
E curar-me deste ardor
Procurar seguir em frente
Com o peito resistente
Esqueci-me então da dor.

Um abraço bem apertado,
Graziela Barduco.

21 out

Ao outubro

O mês de outubro tem
Muitas comemorações,
A nossa Mãe Padroeira
Cura nossos corações,
E o dia das Crianças
Nos trás as recordações.

Também não nos esqueçamos
Mulheres deste Brasil,
Dos cuidados com a mama,
O risco está por um fio.
Auto exame é a solução
Para um cuidado sutil.

Estação da primavera
O tempo do florescer,
Cheio de perfume e cor
Que nos lembra, agradecer,
Vento, sol e chuva tem
Na medida do prazer.

Varre, ó vento de nós
toda essa nossa dor,
Brilhe sobre nós , ó sol
Cubra-nos com seu calor,
Purifica-nos, ó chuva
Com suas lágrimas de amor!

13 out

Entre o peso e a leveza do mundo

Entre o peso e a leveza do mundo, acordo minhas crias, ajudo elas a escolherem suas vestimentas, preparo o café da manhã. Entre o peso e a leveza do mundo, grávidas em situação de risco, estão com baixo peso, por não conseguirem comprar alimentos que tenham qualidade nutricional.

Entre o peso e a leveza do mundo, minha bebê mama em meu seio em praça pública, consigo deixar minhas outras meninas na escola com a roupa que elas escolheram. Entre o peso e a leveza do mundo, uma jovem iraniana é morta por não usar  o hijab (véu islâmico), deixar seu cabelo a mostra e isso ter sido interpretado como um afronto a moral de seu País.

Entre o peso e a leveza do mundo, arrumo minha casa, lavo os pratos, as roupas, varro os cômodos, faço o almoço, lavo meu quintal, recolho os entulhos, elimino possíveis criadouros de mosquito. Entre o peso e a leveza do mundo, uma nova epidemia de dengue assola o Brasil pela falta de consciência coletiva.

Entre o peso e a leveza do mundo, ouço música, leio um livro, escrevo poemas e cordéis, trabalho em meu computador, pesquiso e leio em fontes honestas sobre o que acontece em meu país. Entre o peso e a leveza do mundo, inúmeros confrontos políticos carregados de fake news e angústias no coração daqueles que propagam falácias.

Entre o peso e a leveza do mundo, faço meus exercícios, busco as pequenas na escola, ajudo-as no banho, dou meus alertas quando elas se desentendem, preparo uma janta gostosa, troco fraldas, leio histórias infantis, oro com elas, canto e as coloco pra dormir. Entre o peso e a leveza do mundo, singelas esperanças.

08 out

Coletivo Teodoras celebra 13 anos de Bodega do Brasil

A convite dos promotores culturais do Sarau Bodega do Brasil, o Coletivo feminino Teodoras do Cordel esteve presente na celebração dos 13 anos do projeto que, desde 2009 leva para o Centro de São Paulo, muita arte periférica. Na oportunidade, as integrantes do coletivo apresentou no Saguão de Sociologia e Política no bairro da Vila Buarque em São Paulo, a performance poética da obra Mulheres Negras que Marcaram a História e impactou o público presente.

Confira as fotos do evento:

 

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