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14 jun

As festas juninas, por Tito 7ª B

A Mãe olhou para a Professora, a Professora olhou para o Menino e o Menino continuava olhando para o chão. “De onde teria saído aquela história tão estupefata e que havia criado este bafafá desnecessário?”, questionava a Senhorita Rosangela, responsável pela Direção do Educandário Santa Emília de Rodat, localizado no distrito da Serra da Cachemira, em Santa Cruz do Capibaribe, Agreste de Pernambuco. A professora, Senhorita Rosangela, era quase uma “Irmã”, ou melhor, todos a consideravam uma “Irmã” mesmo. Ela apenas não usava hábito, muitas freiras já não faziam mais, principalmente naquele específico ano em que, pela primeira vez na história nordestina, uma escola iria ter turmas mistas. Isto é, turmas integradas compostas de meninos e de meninas juntos. O fato foi até noticiado na Rádio Cantarino, e a Senhorita Rosangela deu uma entrevista que até hoje é comentada por todos. Ao mesmo tempo que a população confiava em tudo que a entidade promovia no Distrito, assuntavam se haveria controle das crianças e adolescentes nessas turmas mistas, bem como se haveria segura preservação da ordem e dos bons costumes, lembrando que viviam em uma comunidade seguidora da organização moral e cívica brasileira.

Senhorita Rosangela era uma pessoa muito bem quista pela grande maioria das pessoas do lugar. As raras encrenqueiras questionavam apenas, o porquê ela nunca havia se casado, ou nunca havia desejado filhos, ou ter vivido qualquer relacionamento com homens, ou mesmo com mulheres. Até mesmo em suas viagens anuais à Europa, para formações e atualizações pedagógicas, nunca se soube, ou pelo menos nunca se descobriu nenhuma evidência, ou quaisquer indícios sobre sua intimidade com qualquer pessoa, de qualquer gênero ou biologia. Quanto fato, fato mesmo, era o seu sucesso à frente do Educandário e suas realizações instrutivas junto à região rural.

A única história de sua vida conhecida, fora revelada quando tomou posse na direção institucional, através de uma reportagem afixada no mural da entrada da escola. Replicada tamanhas vezes, a matéria informa que Rosangela descendia de ciganos alfaiates da Paraíba e que migraram para Recife em busca de recursos. Anos depois, a família viajou para Vertentes, onde estruturaram uma pré-produção de costuras finas para comercialização na Feira da Sulanca, em Santa Cruz do Capibaribe. Anginha, como era chamada desde infância, era filha única e ajudava seus pais em tudo, principalmente alfabetizando-os com todos os saberes que adquiria na sala de aula. A família prosperou e quando Anginha tornou-se adolescente, foi realizar seu sonho de estudar na capital, ingressando na Faculdade de Filosofia de Recife(FAFIRE), no curso de Magistério, e logo após fez a licenciatura em Letras e Pedagogia.

Seguindo os passos de Paulo Freire, Rosangela idealizava terminar seus estudos e abrir uma escolinha infantil em Vertentes mesmo. Porém, com a chegada da Congregação de Santa Emília de Rodat à Santa Cruz do Capibaribe, ela decide ingressar na instituição francesa sendo contratada como professora primária, e nesta se adapta até a conquista do cargo de direção. Essa era a história oficial, publicada em português e em francês pela Congregação. E que de jeito nenhum abrandava o imaginário popular, rotineiramente alimentado por variadas versões das rotinas “pecaminosas” da Senhorita Rosangela.

Enquanto escutava as lamentações da Mãe, no caso Dona Carmen, e do Menino, no caso Tito, 7ªB, Rosangela lembrava de sua oração de agradecimento pelo desafio em assumir as sétimas séries, as conhecidas salas dos “Infernais”. Quando arguida sobre essa nova demanda, ela respondeu que ainda continuava com a sua missão de se dedicar inteiramente a educação dos necessitados. E realmente, havia uma necessidade latente. “Os Infernais” passaram a ser sua reponsabilidade quando Irmã Maria Antônia, depois de um aperreio dos maiores em sala, caiu da escada do segundo andar e quebrou as duas pernas, em uma das dezenas de tentativas de pegar Pedro Ivo com a boca na botija. Infelizmente, a operação Mata Hari lhe custou dezesseis meses de afastamento. Estava na hora de Rosangela acabar com essa arenga, e reestruturar esse caldeirão de hormônios pulsantes. E isso era o que Ela mais adorava fazer, estudar pessoas e provocar transformações através de observações críticas, bem melhor que um casamento.

Escutava Dona Carmen comentar sobre os exercícios anteriores, os trabalhos de “arte”, as pesquisas “científicas” e tantos outros estudos solicitados nos últimos meses. “Coisa de gente da pá virada. E este último então, provocou uma bagaceira na vizinhança toda”, reclamava a Mãe, que exigia explicações sobre as implicações pedagógicas do trabalho. O caso é que Senhorita Rosangela havia solicitado às sétimas séries uma redação sobre os festejos juninos, sobre os santos padroeiros do mês e as curiosidade das festas. Porém a professora pediu que as estudantes e os estudantes pesquisassem além da biblioteca e dos jornais da banca, além dos fatos, das datas verídicas,  pediu para conversarem com seus pais, familiares, amigos e escrevessem sobre as histórias, experiências e momentos  guardados na memória dos pesquisados. E assim Tito fez.

 

EDUCANDÁRIO SANTA EMÍLIA DE RODAT

Santa Cruz, 13 de junho de 1973

Aluno: Benedito Santos Filho

Série: 7ª Turma: B

Professora: Senhorita Rosângela Velásquez

Dever de casa: Redação sobre as festas juninas

 

SANTO ANTÔNIO, SÃO JOÃO e SÃO PEDRO

“Eu sou Tito, Benedito, tenho 14 anos e estudo no Educandário Santa Emília de Rodat. A nossa professora, digo nossa, porque ela nunca se casou para se dedicar apenas a nós, crianças e adolescentes, e isso é muito bom. Ela é uma professora arretada. Ela tem um jeito diferente. Minha Mãe diz que ela é lé-lé-da-cuca. Eu não acho, Senhorita Rosangela é legal pra chuchu. Ela veio para nossa turma em março desejo que fique para sempre. No mesmo dia, Regina perguntou sobre a arte da Semana Santa e ela respondeu que não ia ter mais nenhum concurso de colagem de algodão ou bordado em ponto cruz,  a sala iria organizar uma peça sobre o que as pessoas entendiam por “transformação”. Mas a bagunça só começou mesmo quando ela disse para conversarmos com nossos irmãos menores sobre a extinção do Coelho da Páscoa. Foi um reboliço só e daí veio o susto e o barulho! “TEBEIII”! Quando vimos no fundo da sala Pedro Ivo com a cadeira quebrada rolando de rir. Todos mangaram dele e rimos juntos. Isso nunca tinha acontecido antes. Todo mundo se divertindo junto.

A primeira vez que Senhorita Rosangela falou diretamente comigo, foi quando me perguntou por que meu apelido era Tito e não Dito? “Quando eu era pequeno eu me chamava assim, eu não conseguia dizer Dito, e ficou Tito mesmo.” “Tu tens olhos de curioso, isso é bom”, ela disse e eu fiquei muito feliz, senti um alívio no peito. Irmã Maria Antônia nunca falou comigo assim, nem de jeito nenhum.  Eu estava com muito medo de estudar esse ano com as meninas. Os primeiros meses foram difíceis, mas agora está bem melhor com a Senhorita Rosangela. Só  encontrávamos com as meninas quando havia compromisso de festa, para formarmos pares, dançarmos ou realizarmos alguma gincana. Em junho era assim que acontecia para formar as quadrilhas juninas. Tudo muito acertado, ensaiado e os pares escolhidos pelas Irmãs. Este ano, Senhorita Rosangela disse que poderíamos conversar e escolhermos por nós mesmos nossos pares e não tem problema se ficar menina com menina e menino com menino. E que temos: “maturidade para decidirem isso. E que é importante para seus desenvolvimentos como pessoa adulta”. Eu decorei e anotei no final de meu caderno, para sempre falar isso quando meus pais disserem que sou abestado, estopô, leso, gota-serena. Senhorita Rosangela pediu para escrevermos sobre as festas e é preciso caprichar para que ela se orgulhe de mim e Aninha também. Eu queria saber da vida dos santos, antes de serem santos.

Eu fui falar com meu Pai logo que escutei o caminhão de leite encostando no terreiro. Com meu Pai era assim, tinha que pegar Ele “quente“, porque no outro dia, quando Ele acordava, ficava muito sério e caladão. Perguntei sobre Santo Antônio, São João e São Pedro. Ele devia saber tudo sobre isso, já que tinha um chaveiro com uma cruz e com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. E assim Ele respondeu: “Filho, sempre teve uma fogueira, uma palhoça bonita, um altar montado com as imagens dos santinhos. A povaria enfeitada, lorde e elegante, passada à ferro-em-brasa. Desde Seu Bisavô, se tem um dia especial para a organização da festa e a feitura das comidas. Se ajuntava todo mundo no terreiro escolhido.  As mulheres ralando milho para pamonha, canjica, bolo. Munguzá descansando no leite. Os jovens com a decoração guaribada de bandeirinhas e os mais velhos na montagem da fogueira mais bonita da região…” Então Ele parou de falar, levantou e caiu na cama. Pronto foi isso com o meu Pai.

Esperei o dia seguinte para falar com a minha a Mãe. Primeiro precisava saber se Ela estava bem, porque às vezes a beberagem de meu Pai, era descontada no “lombo” dela e só perto do almoço Ela ficava melhor.  O que eu queria saber era sobre os Santos. Porque primeiro vinha o santo para depois existir a festa e era essa minha curiosidade. E eu precisava fazer o que Senhorita Rosangela dizia:” Alimente a sua curiosidade, ou sofra depois”. Bem o que eu sabia era que Santo Antônio, é comemorado dia 13, mas fazemos a festa na véspera, 12. São João é dia 24, mas fazemos a festa na véspera, 23. E que São Pedro é dia 28, mas fazemos a festa na véspera, 29. Dia do Santo Antônio é dia dos Namorados, por que? Eu tinha certeza que minha Mãe sabia dizer. Ela era a conversadeira do arruado. Sabia da vida de todo mundo, dos casais, de quem estava namorando, ou quem tinha amante. Para minha Mãe, Senhorita Rosangela tem um caso escondido com uma namorada em Recife. E que ela encontra todas as vezes que volta de Paris. Com certeza minha Mãe saberia me ajudar com Santontonho.

Poxa. Espero que a Senhorita Rosangela não fique decepcionada comigo. Mas a minha Mãe estava com as suas famosas “enxaquecas” e não saiu do quarto o dia inteiro. E eu resolvi ir para rua, escrever à sombra do ingazeiro, escutando João-Chique-Chique soltar o pio. Eu sempre gostei muito de ficar olhando o céu e de dar forma a todas as nuvens no céu. Ficar aqui na ribanceira do quintal, criando histórias de heróis e vilões. Na maioria do ano o céu está bem azul, esturricado de sol. Mas nessa época do ano, é a que eu mais gosto. Tem mais nuvem no céu e eu posso contar todas as histórias que eu quiser. As nuvens pareciam carneirinhos pulando e eu lembrei de São João, São João do Carneirinho. Qual seria a verdadeira história de São João? Uma hora ele aparecia como criança outra como um velho. O que foi que aconteceu em sua vida de criança, ele brincava de quê e com quem? E Santantonho e São Pedro? Eles gostavam de alguma menina e podiam namorar? Será que tinha alguma coisa escrita em algum lugar sobre isso? Lembrei quando perguntei a Irmã Maria Antônia sobre o que Jesus fez entre 12 e 33 anos, ela deu um grito de “cala a boca Tito”, que vem no meu ouvido até agora. Diacho, ninguém me disse nada que eu achasse interessante de contar sobre os Santos.

Para respeitar o título de minha redação, eu resolvi escrever só o que sei e o que eu acho que sei. O que acho que sei é que os Santos devem ter sido bons amigos. São João era uma pessoa muito rica, porque sempre foi o Dono da Festa e montador de arraial e das quadrilhas. Santo Antônio era seu encarregado de organizar os casamentos, dar conta das comidas e das bebidas. E São Pedro era o responsável pelo lugar das festas, e controlava a portaria, os convites e os ingressos do Arrastapé. Os três organizaram uma festa no passado e que deu certo e assim foi passando os anos até chegar hoje.

FIM.

P.S: Essa era a ideia de minha redação, a minha invenção, que nunca aconteceu, mas quem sabe um dia pode acontecer. Senhorita Rosangela disse para que escrever o que sonhávamos de noite. Eu sonho o tempo todo. Este é um sonho para Santo Antônio me dar uma ajuda.

Em meu sonho minha Rainha do Milho era Aninha. Ai, Aninha. Aninha Rainha do Milho e eu seria o Rei da Cocada Preta. Que afoiteza! Aninha, vestida de branco e eu de terno florido. Quem comandava a Quadrilha da escola toda, era eu e Aninha. E faríamos nossos próprios passos. Nosso Túnel seria uma beleza. Todos nos seguindo no Galope cruzando o terreiro. “Olha a chuva, passou”. Aninha, minha Rainha, comigo no beija-flor, puxando o Desfile das Damas, armando comigo o Caracol e seguindo o Passeio na Roça no mundaréu das nuvens. A cada passo o perfume dos cabelos cacheados de Aninha tomariam conta de salão e nos casaríamos no céu.

Aninha disse que ia fazer simpatia para Santantonho. Ai como eu queria que Aninha visse meu rosto formado com as gotas de vela na bacia virgem. Queria que fosse meu nome que saísse marcado na faca enfiada na bananeira às seis da tarde. Queria tanto que Aninha quando fosse rezar a “Salve Rainha” e na hora do “mostrai”, Aninha sonhasse comigo.

Mas Aninha só quer saber de Tonho. Aquele abestalhado que num sabe nada de matemática, nem eu. Mas eu sei mais de português! Queria que São Pedro abrisse a cabeça dela e colocasse a minha imagem em sua mente seu coração batesse por mim. Queria que ela acordasse de manhãzinha com o desejo de pegar goiaba escondida na Fazenda Acauã e de ficar na ribanceira comigo dando forma as nuvens e dando uma bicotinha de vez em quando.  Aninha, se a gente casasse, será que eu seria um bom esposo, será que eu seria um bom pai? Que atrevimento meu, Aninha, ficar pensando em teu futuro sem tu saberes de nada. Sem tu nem mesmo saberes que eu gosto tanto de tu. E sem nem saber se eu mesmo te mereço. E o que seria da gente depois dessa Quadrilha das nuvens?

FIM 2.

Depois de ler em voz alta o trabalho de Tito, Senhorita Rosangela percebeu as lágrimas de Dona Carmem. A fera que havia entrado em sua sala com pedras na mão, poucos minutos antes, agora chorava copiosamente. Ela não sabia ler direito, tinha pouca ou quase nenhuma formação primária e tinha sabido sobre o texto por uma prima do filho, que escutou a leitura no dia da apresentação na escola.

Tito não entendia o que estava se passando, mas sabia que sua professora iria conversar com ele e esclarecer a reação de sua Mãe, visivelmente amansada. Tudo seria explicado no momento certo. Ele confiava na professora. Tudo seria resolvido sem pressa e sem a moral do “cinturão”.

10 jun

Viva la vida, Isa Almeida!

Celebrações de ciclos de vida. Há quem não goste na fase adulta, mas na infância, dificilmente uma criança rejeite a possibilidade de um “parabéns pra você” com família e amigos não é mesmo?

Ano passado, quando minha menina mais velha, Isabella, havia acabado de completar sete anos, mal tinha terminado a celebração, rapidamente ela expressou:
– Mamãe, próximo ano quero a Frida na minha festinha!
– É mesmo filha, e por quê?
– É que um dos meus livros preferidos do clube de leitura Minha Pequena Feminista é o dela sabe? Ela também é muito colorida. E eu adoro um colorido! Ah mãe, e você sabe que eu quero ser pintora e desenhista quando eu crescer né? Frida amava animais, igual a mim. E macacos mamãe, como eles são engraçadinhos! Tem também, o cordel da tia Edimaria, que é sobre a Frida e eu acho muito legal. E a história da Frida no podcast Vem Ouvir Essa História , eu adoro ouvir! Podemos fazer mamãe?

Ah, universo das histórias narradas, escritas, lidas, ouvidas, sentidas….como és importante na construção da vida de um ser humano…
– Tá certo filha. Muito bem explicado. Próximo ano a gente conversa mais sobre isso!

E então, chegou os oito anos da menina. O pensamento dela permaneceu e, com simplicidade, fomos trazendo as referências que ela mesmo ia me falando e inserindo no seu dia especial. Com lençóis, transformamos sua cama casinha, na famosa Casa Azul da Frida Kahlo, com direito a galeria de arte, com algumas telas da pintora. Os cordéis da Tia Edi, também estavam lá em destaque: Frida, uma Infância em Cores. A meninada adorou. A boneca da Frida em machê produzida pela amiga, artista plástica, Denna Sossai , foi sucesso. Também criamos um espaço para as “telas” da aniversariante.


– Meu nome de pintora é Isa Almeida mamãe!
– Tá certo filha, é só assinar no rodapé da sua pintura.
Ainda teve oficina de argila e tiara de flores. Pintura de fridinhas e caveirinhas, impressas pela amiga e vizinha, tia Lêda. Num piquenique gostoso no quintal, lanchinhos, cantorias, danças (sem Tik Tok) e desfile de fantasias diretamente do baú encantado, com princesas, bruxa, ladybug. Brincaram de casinha, na casa azul e depois, na pequena varanda do sobrado, com direito a parabéns com as bonecas. Da esquina era possível ouvir a empolgação dessas meninas! E as brincadeiras de rua não puderam faltar. As preferidas desta idade: pega-pega, esconde-esconde, amarelinha e muitas pedaladas de bicicleta. A gritaria da mais pura felicidade foi grande. Foi tanta coisa, que, em muitos momentos, a fotografia foi deixada de lado porque, viver tudo isso, era realmente o que mais importava. Uma tarde colorida, divertida, cheia de amorosidade, com aquelas que dividem diariamente com Isabella, sentimentos puros e genuínos que só essa fase é capaz de despertar.

Fim do dia. Vizinhança amiga chega. Comemos e bebemos guloseimas pecaminosas, papeamos e, eis que de repente, não é que Frida Kalho resolve descer dos planos celestiais e visitar a menina Isabella?

– Viva la vida pessoal!
– Mamãe?
Dou uma piscadinha cúmplice para ela.
– Frida, que bom que você veio!
Recebo um abraço gostoso. Obrigada a minha amiga Edimaria pelo empréstimo do seu vibrante figurino para fortalecer a performance  de uma mãe à plateia mais importante dela. E é chegada a hora dos parabéns!

Ah, meus oito anos…será que ela vai se lembrar desta época com essa nostalgia gostosa? No que depender de mim e do pai, esperamos que sim! Acredito que, na maioria das vezes, é no simples que está a verdadeira felicidade. Mas, são nos detalhes criativos que estão as mais belas memórias! E é isso que busco sempre nas celebrações de ciclos de vida das minhas meninas. Mais uma vez, este ano, vencendo todas as adversidades, espero ter conseguido fincar no coração de Isabella, boas e felizes recordações! Feliz 8 anos, Isa Almeida! Viva la vida!

Doce, alegre e brincalhona
Das irmãs, uma companheira
Isabella é puro amor
Delicada e faladeira,
Oito anos da sua vida
De uma infância bem vivida,
Bem feliz e bem arteira!

Te amo meu amor! Hoje e sempre e para sempre!
Sua mamãe,
Dani Almeida

08 jun

A Evolução estética do cordel é destaque em roda promovida pelo Teodoras no circuito Vozes Periféricas

No dia 15 de junho, às 14 horas, acontece na biblioteca pública Marcos Rey, no bairro Jardim Umarizal, a terceira roda de conversa do coletivo feminino estadual Teodoras do Cordel – Artevistas SP. A mesa, intitulada, Evolução estética do cordel: capas e textos”, será ministrada pela cordelista e escritora, Edimaria, após a esquete “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel”.

A ação, faz parte do circuito Vozes Periféricas, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e percorrerá o total de dez bibliotecas, até o dia 30 de junho.

Segundo Edimaria, a roda tem como objetivo, levar conhecimento para todas as pessoas interessadas neste assunto “Esta mesa é para, no mínimo, abrir um canal para a curiosidade. Conhecimento do novo é sempre instigante e esse tipo de encontro é importante para se emitir opiniões e buscar o aprendizado através das perguntas”, destaca.

Antes da roda, as cordelistas do Teodoras apresentam a esquete “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel”. Nela, será feita uma femenageam à força das mulheres negras e indígenas brasileiras e um alerta poético sobre a violência contra a mulher. As performances, são inspiradas nas três publicações coletivas do Teodoras: Justiça Violada (2021); Mulheres Negras que Marcaram a História (2022) e Mulheres Indígenas que Marcaram a História (2023).

O Coletivo Teodoras do Cordel – Artevistas SP

Fundado em 1º de julho de 2020, o coletivo é um grupo poético, artístico, literário e multicultural, que produz, promove e difunde a literatura de cordel. Um dos objetivos é o de mapear e fortalecer a produção do cordel feminino em nível estadual. “As nossas lutas cotidianas em comum, somadas as ações de difusão do coletivo, viabilizam o acesso de leitores e leitoras às obras literárias das mulheres do cordel em nosso Estado, principalmente, em espaços de incentivo à leitura, como casas de cultura, escolas e bibliotecas”, explica Lu Vieira, cordelista da cidade São Paulo e uma das idealizadoras do Teodoras do Cordel.

Fortalecidas e engajadas, as mulheres deste coletivo têm promovido diversas ações integrativas entre cordelistas veteranas, iniciantes e simpatizantes de várias cidades do Estado. “Em qualquer segmento onde a mulher ocupa espaço, inclusive no cordel, os desafios são grandes. Unir objetivos femininos construindo um diálogo crítico e inspirador com os nossos pares, é o que buscamos em nossas atividades”, pontua Elielma Carvalho, membro e produtora do Teodoras.

SERVIÇO
Espetáculo Mulheres em Ação na arte e no cordel + Roda de conversa
Evolução estética do cordel: capas e textos com Edimaria
Dia e Horário: 15/6, às 14 horas
Local: Biblioteca Pública Marcos Rey
Endereço: Avenida Anacé, 92, Jardim Umarizal, São Paulo.
Entrada: gratuita

04 jun

Teodoras fala sobre cordel e cura interior em roda de conversa na biblioteca Álvares de Azevedo

No dia 7 de junho, às 14 horas, acontece na biblioteca pública Álvares de Azevedo, no bairro Vila Maria, a segunda roda de conversa do coletivo feminino estadual Teodoras do Cordel – Artevistas SP. A mesa, intitulada, Cordel como ferramenta no processo de cura interior”, será ministrada pela cordelista e escritora, Grazi Barduco, após a esquete “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel”.

A ação, faz parte do circuito Vozes Periféricas, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e percorrerá o total de dez bibliotecas, até o dia 30 de junho.

https://teodorasdocordel.com.br/integrantes/#Graziela Barduco

Segundo Grazi, a roda tem como objetivo, destacar a potência terapêutica da escrita como ferramenta para a cura. “Compartilhar com o público algo que de certa forma ajudou a salvar minha vida é muito gratificante. Espero inspirar e fortalecer alguém que possa estar passando pelo mesmo que passei”, pontua.

Já na esquete “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel”, que antecederá a mesa, as cordelistas do Teodoras, femenageam a força das mulheres negras e indígenas brasileiras e denunciam a violência contra a mulher. As performances, são inspiradas nas três publicações coletivas do Teodoras: Justiça Violada (2021); Mulheres Negras que Marcaram a História (2022) e Mulheres Indígenas que Marcaram a História (2023).


O Coletivo Teodoras do Cordel – Artevistas SP

Fundado em 1º de julho de 2020, o coletivo é um grupo poético, artístico, literário e multicultural, que produz, promove e difunde a literatura de cordel. Um dos objetivos é o de mapear e fortalecer a produção do cordel feminino em nível estadual. “As nossas lutas cotidianas em comum, somadas as ações de difusão do coletivo, viabilizam o acesso de leitores e leitoras às obras literárias das mulheres do cordel em nosso Estado, principalmente, em espaços de incentivo à leitura, como casas de cultura, escolas e bibliotecas”, explica Lu Vieira, cordelista da cidade São Paulo e uma das idealizadoras do Teodoras do Cordel.

Fortalecidas e engajadas, as mulheres deste coletivo têm promovido diversas ações integrativas entre cordelistas veteranas, iniciantes e simpatizantes de várias cidades do Estado. “Em qualquer segmento onde a mulher ocupa espaço, inclusive no cordel, os desafios são grandes. Unir objetivos femininos construindo um diálogo crítico e inspirador com os nossos pares, é o que buscamos em nossas atividades”, pontua Elielma Carvalho, membro e produtora do Teodoras.

SERVIÇO
Espetáculo Mulheres em Ação na arte e no cordel + Roda de conversa
“Cordel como ferramenta no processo de cura interior”, com Graziela Barduco
Dia e Horário: 7/6, às 14 horas
Local: Biblioteca Pública Álvares de Azevedo
Endereço: Praça Joaquim José da Nova, S/N, Vila Maria, São Paulo.
Entrada: gratuita

01 jun

Catorze anos de vida cordeliana em São Paulo

Hoje, 1º de junho de 2023, completo 14 anos de morada no Estado de São Paulo. Nem nas minhas mais longínquas lembranças, pensaria que construiria minha vida aqui. Quando decidi embarcar, eu tinha acabado de completar 24 anos. Era uma jornalista recém-formada e pensava apenas em passar uma temporada fora para fazer alguns cursos na área de comunicação, conhecer o povo do cordel em sampa, e depois, voltaria para Pernambuco cheia de histórias para contar.  Mas a vida é cheia de surpresas não é mesmo? Dois meses após minha chegada, conheci o amor da minha vida. E minha missão terminou sendo, viver e contar histórias em São Paulo!

Jamais esquecerei os olhares de todos os meus familiares, naquela tarde chuvosa do primeiro dia de junho, em Recife. Principalmente, do meu avô e da minha mãe ao se despedirem de mim no aeroporto. Pareciam que já sabiam que aquela passarinha alegre e saltitante estava voando para seguir seu próprio destino. Minha boca dizia até a volta, mas meu coração parecia já saber que a volta seria apenas para visitar a família de origem. Meu choro compulsivo dentro do avião talvez já fosse um presságio disso. Mas ainda era cedo demais para perceber. Precisava viver. E viver de forma independente dói. “Viver é melhor que sonhar” (será?). Só Deus mesmo para saber de onde eu tirei coragem para enfrentar viver esse novo mundo. Durante a viagem, inventei de ler uns versos que seu Euclides Nascimento escrevera para mim, pouco antes da partida:

Daniella, minha neta,
Meu amado passarinho
Você hoje sai do ninho
Vai viver lá no pomar
Cuidado com os predadores
Para não lhe devorar…Te amo.Vô.

Por favor, parem este avião! Pensei. Tarde demais! Se tem uma coisa que aprendi como os meus, foi sobre a importância de seguir em frente. De continuar a nadar, independente da correnteza. Mas, eu estava nas alturas! Então, continuei voando! Finalizo esta singela narrativa, com algumas estrofes sobre os meus caminhos na vida e no cordel e despeço-me, com a famosa frase de Che Guevara, da qual costumava falar muito nesta época: Hasta la victoria siempre!

MEU NOME É DANI ALMEIDA
SOU NETA DE CORDELISTA,
SEU EUCLIDES NASCIMENTO
NA MISSÃO SINDICALISTA,
DEU VOZ AO AGRICULTOR
E FOI UM GRANDE ATIVISTA.

EU NASCI NO CEARÁ
MAS CRIANÇA ME MUDEI,
PARA OLINDA, PERNAMBUCO
COM MAINHA ENFRENTEI,
DESAFIOS IMPORTANTES
JORNADAS QUE SUPEREI.

RIO DOCE, PERIFERIA
FOI O BAIRRO ONDE EU CRESCI,
É TAMBÉM DE CHICO SCIENCE
GRANDE ARTISTA QUE OUVI,
MANGUES E MARACATUS
REFERÊNCIAS QUE SEGUI.

EM MIM AINDA CARREGO
O CHEIRO DA MARESIA,
PAISAGENS DO ALTO DA SÉ
LUGAR DE PURA MAGIA,
POR ENTRE AS ONDAS DO MAR
DESCOBRI MINHA POESIA.

CIRANDAS, FORRÓS E FREVOS
FAZEM PARTE DO MEU MUNDO,
E ADENTRAM A MINHA ALMA
TORNAM MEU SER MAIS PROFUNDO,
NAS PALAVRAS QUE TRADUZEM
TUDO O QUE HÁ DE MAIS FECUNDO

E JÁ FAZ CATORZE ANOS
QUE EM SÃO PAULO EU CHEGUEI
JÁ MOREI NA CAPITAL
EM CAMPINAS ME CASEI
HOJE EM CARAGUATATUBA
O CORDEL É MINHA LEI!

NA CIDADE DE CAMPINAS
EU PARI MINHAS DUAS FILHAS
ISABELLA E ESTER LUZ
ME LEVARAM À MUITAS TRILHAS
DE AUTOCONHECIMENTO
CORAGEM, FÉ E PARTILHAS.

MORO EM CARAGUATATUBA
AQUI TIVE OUTRA MENINA
SUA GRAÇA: CLARICE ESTRELA
UMA NOVA LAMPARINA
NASCIDA DENTRO DE CASA,
NOVO AMOR QUE ME FASCINA.

A FLUÊNCIA DESTAS VIDAS
QUE NO VENTRE CARREGUEI
DEU AMPARO E FORTALEZA
PARA MIM COMO UMA LEI
DEDICO AS ANCESTRAIS
TUDO O QUE JÁ FIZ E HONREI.

FALO SEMPRE QUE O CORDEL
É POESIA PRA ECOAR,
DEVE SER METRIFICADO
COM BONS VERSOS A RIMAR,
TRADUZ COM MUITA EMOÇÃO
UMA ARTE SECULAR.

MERGULHO NO UNIVERSO
DAS HISTÓRIAS INFANTIS,
TAMBÉM O DA MATERNAGEM
COM MOVIMENTOS SUTIS,
NA EDUCAÇÃO FORTALEÇO
OLHARES BONS E GENTIS.

APRESENTO A TODO MUNDO
OS MEUS CONTOS NORDESTINOS,
CORDÉIS COM TEMAS DIVERSOS
PARA A REDE DE ENSINO,
ASSIM PRESENCIO CURAS
E MUDANÇAS DE DESTINOS.

BRINCO COM SERIEDADE
AFIRMANDO QUE O CORDEL,
É UMA LITERATURA
FORTE E TEM O SEU PAPEL,
DE EDUCAR, QUIÇÁ FORMAR
QUEM QUISER EM MENESTREL.

A VOCÊ QUE HOJE ME LÊ
RECEBA MINHA GRATIDÃO
PELO MOMENTO SUBLIME
DE LEITURA E COMUNHÃO
POR TER FÉ NA POESIA
NA MULHER E SUA AÇÃO!

ESTES SAO ALGUNS CAMINHOS
DO CORDEL EM MEU VIVER.
AVENTURAS, DESAFIOS
QUE AJUDAM A ENTENDER,
MINHA MISSÃO NESTA JORNADA:
SEMPRE A ARTE DEFENDER!

25 maio

Carta de um par de seios a uma mãe que amamenta

É, não precisa falar. Sabemos que a palavra cansada é quase um sinônimo de você nos últimos três anos, três meses e três dias. Afinal, a chegada de duas novas bebês durante este período (sem contar com a primeira que você teve antes), não poderia oferecer um cenário diferente do que você vive atualmente, principalmente do ano passado para cá. Ainda que, em muitos momentos, você não transpareça.

Hoje, temos quase o triplo do nosso tamanho original. Seu pescoço, tem doído muito? A gente quer muito te pedir perdão por isso. Sabemos que nos carregar não tem sido uma missão muito fácil. O número de tops e sutiãs perdidos não nos deixa mentir não é verdade?

Realmente a chegada das suas bebês, nos transformou. De manhã até tentamos fazer você se sentir uma “Pâmela Anderson”. Aí vem o final do dia, e com ele a singela prévia do que vai acontecer quando o período de lactação acabar.

Somos sugados de forma tão vigorosa que não temos mais dó de nós, mas de você, que tem que nos sustentar. E quando, além das sugadas, viramos objetos de brincadeiras, apertões, beliscos e até de algumas mordidas ainda que sem querer? A gente sabe que não é por mal. Mas que dói, dói! Mesmo que ele venha seguido de um lindo sorriso inocente. O que seria de nós, se não fosse você para alertar este terceiro novo ser, que tomou posse da gente sem pedir licença, de novo?

Desde então, criamos uma espécie de “vida própria”. Uma experiência pra lá de inusitada e que, por mais estranho que pareça, é depois de ouvirmos um choro deste ser, que entramos em ação. Você sabe! Choramos juntos! Quantas blusas suas já molhamos antes de sermos abocanhados pela boca da sua filhote?

Mas, de tudo de esquisito que já passamos, o lidar com os olhares externos sobre nós é o mais tosco. Quantos já olharam primeiro para nós e só depois é que você foi enxergada? E o mais estranho de tudo isso, é que, muitos destes olhares, não são de apoio! O que a gente sente (e não compreende) é a tal da indignação alheia pela sua escolha de continuar amamentando, seja em casa ou em espaços públicos, mesmo com as intempéries da sua vida. Alguns questionam, por que escolher nos manter assim, sempre cheios e “a mostra” se a “modernidade” já apresenta tantas outras opções? Mas olha, a gente quer te dizer uma coisa: Apesar da gente saber que você não liga muito para esse tipo de questionamento, não liga não tá?

Somos tua verdade em feminilidade! Abocanhados, esmagados, sugados ou cansados, somos sagrados! Fonte de fortaleza, alimento, proteção, amor, ação, pura emoção! Cheios ou vazios, nunca iremos te abandonar!

Somos gratos por tudo até aqui.
Com carinho,
Seu par de seios.

Como resposta, exponho os versos publicados no livro Maternagem em Sete Versos:

Meu bebê quando adormece
Eu que fico a contemplar,
Minha ocitocina aumenta
Faz meu peito transbordar,
Desse líquido de amor
Que transcende toda dor:
Leite para amamentar.

Dani

22 maio

Teodoras abre projeto Vozes Periféricas com roda de conversa sobre maternagem

No dia 2 de junho, às 14 horas, acontece na biblioteca pública Cassiano Ricardo, a primeira roda de conversa do coletivo feminino estadual Teodoras do Cordel – Artevistas SP. A mesa, intitulada, “Maternagem em Sete Versos – Poéticas Cordelianas de uma Mãe Artevista”, será ministrada pela cordelista e escritora da cidade de Caraguatatuba, Dani Almeida e acontece após o espetáculo “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel” (também apresentado pelo o coletivo Teodoras).

A ação, faz parte do projeto Vozes Periféricas, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e percorrerá o total de dez bibliotecas, até o dia 30 de junho.

Segundo Dani Almeida, a primeira roda do coletivo é inspirada em seu primeiro livro solo, Maternagem em Sete Versos, lançado recentemente editora MWG e propõe as participantes a mergulharem no universo materno de uma forma poética e inspiradora. “De um jeito leve e reflexivo, vamos bater um papo sobre alguns caminhos que podemos percorrer para ouvir melhor a nossa voz interior em meio aos desafios cotidianos, seja como mãe, seja como filha”, destaca.

O Coletivo Teodoras do Cordel – Artevistas SP
Fundado em 1º de julho de 2020, o coletivo é um grupo poético, artístico, literário e multicultural, que produz, promove e difunde a literatura de cordel. Um dos objetivos é o de mapear e fortalecer a produção do cordel feminino em nível estadual. “As nossas lutas cotidianas em comum, somadas as ações de difusão do coletivo, viabilizam o acesso de leitores e leitoras às obras literárias das mulheres do cordel em nosso Estado, principalmente, em espaços de incentivo à leitura, como casas de cultura, escolas e bibliotecas”, explica Lu Vieira, cordelista da cidade São Paulo e uma das idealizadoras do Teodoras do Cordel.

Fortalecidas e engajadas, as mulheres deste coletivo têm promovido diversas ações integrativas entre cordelistas veteranas, iniciantes e simpatizantes de várias cidades do Estado. “Em qualquer segmento onde a mulher ocupa espaço, inclusive no cordel, os desafios são grandes. Unir objetivos femininos construindo um diálogo crítico e inspirador com os nossos pares, é o que buscamos em nossas atividades”, pontua Elielma Carvalho, membro e produtora do Teodoras.

SERVIÇO
Roda de conversa Maternagem em Sete Versos – Poéticas de uma mãe artevista, com Dani Almeida e Espetáculo Mulheres em Ação na arte e no cordel

Dia e Horário: 2/6, às 14 horas
Local: Biblioteca Pública Cassiano Ricardo
Endereço: Avenida Celso Garcia, 4200, bairro Tatuapé, São Paulo.
Entrada: gratuita

21 maio

Projeto Vozes Periféricas leva Teodoras do Cordel para bibliotecas públicas da capital no mês de junho

A partir do próximo dia 2 de junho, até o dia 30, o coletivo feminino estadual Teodoras do Cordel – Artevistas SP inicia o circuito literário Vozes Periféricas, nas bibliotecas municipais da capital, com o projeto: “Mulheres em Ação na Arte e no Cordel”. Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o circuito percorrerá com o coletivo Teodoras do Cordel, o total de dez bibliotecas. A cada encontro, o público poderá conferir apresentações que femenageam a força das mulheres negras e indígenas brasileiras e ainda, temáticas que denunciam a violência contra a mulher. As performances, são inspiradas nas três publicações coletivas do Teodoras: Justiça Violada (2021); Mulheres Negras que Marcaram a História (2022) e Mulheres Indígenas que Marcaram a História (2023).

Para Elielma Carvalho, produtora do projeto e membro do coletivo, é de grande importância que as pautas femininas e feministas, sejam discutidas nas várias linguagens artísticas e também, na literatura de cordel. “Em qualquer segmento onde a mulher ocupa espaço, inclusive no cordel, os desafios são grandes, por isso nosso coletivo tem buscado desenvolver ações para ajudar a desconstruir alguns paradigmas impostos pela sociedade patriarcal. Unir objetivos femininos construindo um diálogo crítico e inspirador com os nossos pares, é o que buscamos em nossas atividades, mas não é uma tarefa fácil”, destaca.

Durante o circuito Vozes Periféricas, além do espetáculo, as mulheres do coletivo Teodoras do Cordel também irão ministrar rodas de conversas sobre diversas temáticas, são elas:

Maternagem em Sete Versos – Poéticas Cordelianas de uma Mãe Artevista
(por Dani Almeida, dia 2/6, na biblioteca Cassiano Ricardo );
Cordel como ferramenta no processo de cura interior
(por Grazi Barduco, dia 7/6, na Biblioteca Álvares de Azevedo);
Evolução estética do cordel: capas e textos
(por EdiMaria, dia 15/6, na Biblioteca Marcos Rey);
A escrita feminina no cordel
(por Lu Vieira, dia 16/06, na Biblioteca Camila Cerqueira César);
Do que fala a mulher quando escreve?
(por Elielma Carvalho, dia 20/06, na Biblioteca Amadeu Amaral);
Culturas de Resistência: culturas periféricas que resistem à ordem vigente opressora
(por Maria Clara Psoa, dia 21/06, na Biblioteca Brito Broca);
A xilogravura nos cordéis e livros
(por Nireuda Longobardi, dia 22/06, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima);
O feminino e a loucura
(por Luciana de Paula, dia 27/06, na Biblioteca Rubens Borba Alves de Moraes);
Cordel e os folguedos brasileiros: musicalidade e cancioneiro popular
(por Maria Rosa Caldas, dia 28/06, na Biblioteca Érico Veríssimo);
Violência e racismo contra a mulher: relatos e experiências
(por Cléia Silva e Dennah Sossai, dia 30/06, na Biblioteca José Paulo Paes).

SERVIÇO
Mulheres em Ação na arte e no cordel + Rodas de conversa com mulheres cordelistas

Dias, locais e horários:
2/6: Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, 14 horas
7/6: Biblioteca Álvares de Azevedo, 14 horas
15/6: Biblioteca Marcos Rey, 14 horas
16/6: Biblioteca Camila Cerqueira César, 10 horas
20/6: Biblioteca Amadeu Amaral, 14h30
21/6: Biblioteca Brito Broca, 10 horas
22/6: Biblioteca Alceu Amoroso Lima, 13h30
27/06: Biblioteca Rubens Borba Alves de Moraes, 14h30
28/6: Biblioteca Érico Veríssimo, 9 horas
30/6: Biblioteca José Paulo Paes – (C.C.Penha), 15 horas

Entrada: gratuita

 

21 maio

Papel higiênico

PAPEL HIGIÊNICO

Pois é. Aqui estou eu cagada, sem água na torneira e sem papel para limpar a bunda. Reinando humilhada em meu único trono. Isso reflete a minha humilde vida de hoje, cara pessoa leitora. Envolvida com as responsabilidades, ou melhor com as irresponsabilidades dos outros, chego ao ponto de não pagar as minhas dívidas, resolver os meus perrengues, nem mesmo dar conta de uma transa e até esqueço de comprar papel higiênico.

Mas essa dedicação ao desenvolvimento da obra do outro, ou seja, tomar conta da cagada alheia, sempre esteve presente em minha vida. É uma perseguição presente. Agora vejo tudo. Principalmente observando os belos toletes flutuantes, que tenho pena de mandar embora para não ficar sozinha. Desculpe-me, pessoa leitora, a impecável escatologia Poe-Dos Anjos, porém é sabido que algumas coisas na vida só ganham denotação pela observação concreta da obra.

Penso: se é possível dar forma às nuvens, ler a borra deixada pelo café marroquino, interpretar as sombras nas águas do rio, ou as gotas de vela, que revelam o nome do futuro marido  na bacia virgem na noite de Santantonho, por que cargas d´água eu não posso ler o que revelam os meus toletes boiando? Formam um olho. E só pode ser o olho do cu. Exponho por excreção explícita as minhas amarguras, é o que tenho para hoje. E é assim de onde eu vim. Na cara dura. De forma crua. Percebo que trago em mim todas as cagadas de minha terra e levo-as em meu sotaque, na pele, para onde eu vou. Sabes por quê? Porque é o mesmo cu ainda. E já que estou cagada mesmo, vou é filosofar sobre a situação. Dizem os sábios que quando na merda “se saia de crau”. Então sigo em exploração o despertar das cagadas da minha vida.

Espera, espera aí. Respira, respira fundo. Mais um pouco. Sentiu o odor de merda? Não? Ah.. vai dizer que só eu é que estou cagada, com o rabo sujo e refletindo sobre a própria existência? A verdade é que nos acostumamos com a catinga de nossa cagada. Ela vai maturando e evolui aos poucos, passando à categoria de fedor e acomoda-se. Um tanto depois, evolui para cheiro e por fim põe-se em sua “venta” como essência ou fragrância essencial. E o sinal que a merda antes “carne de quarta”, podre e matadora de narinas, passa a ser conotada como na-tu-ral. Pois é, respira fundo, já que estás acostumada com o aroma. Não pira, pois tem sempre uma cagada bem mais fedorenta que a tua a ser cheirada.

Voltando as minhas divagações sanitárias. Um pensamento entalhado em um banheiro de posto de gasolina, na rota da BR232, em meados de 70, marcou a minha vida. “Merdas cagadas, não voltam ao cu”. Estava ali, diante dos meus olhos, a sabedoria universal de Einstein, cravada na porta de um banheiro de beira de estrada. Pura verdade e eu só consegui ler, porque estava na altura certa. Nessas ocasiões em que precisava me aromatizar de mim, eu tirava a sandália e colocava no assento para evitar o contato. E foi assim, um tanto mais alta, que li a frase marcante de minha sina. Achei muito mais eficiente que “águas passadas não movem moinhos”. Creio que por a imagem de água sempre levar a um significado intuitivo fofinho. Agora a cagada, é uma realidade cheirável e tátil.

A partir de então, adotei o cu como um índice benéfico a minha aceitação social. Penses o poder que esta palavra monossilábica representa ao mundo. Uns a amam, como eu. Outros odeiam ou nem pensam no bichinho, ou bichinha, ou bichinhe. Exemplo, agora vou falar de minha vida cu. Olha aí. Virou a cara? Teve nojo, asco, incomodo ou não quer ler mais? Ou está rindo até agora com a consciência que no fundo, no fundo, tudo acaba em merda? Tu já entendeste o panorama. Duas letras que sintetizam décadas de existência entre prisões de ventre e caganeiras. Viver a vida da outra ou do outro, cuidar mais do mundo, que que de mim mesma, se deve a uma síndrome que eu batizei de Síndrome do Segundo Lugar, ou SSL.

A SSL me aterrorizava quando estava prestes a competir por qualquer premiação, ou por uma nomeação, por uma citação, por uma assinatura, ou qualquer atividade contextualizada como um processo de saber quem era melhor em algo, melhor música, conquistar um lugar top de qualquer coisa, ou ser destaque, ou concorrer a Rainha do Milho, ou dançarina de Lambada, algum ranking…. aiiii. Creio que o conjunto da obra sempre salva a pessoa antes morrer. Mas comigo o que acontecia era ter que me contentar com o segundo lugar. É um quase, é um quase lá. Não é 50% nem 100%. É 90%. E ficam esses 10% de dúvidas e questões que te perseguem, e sabotam eventos especiais. Tirar B é não A. Ser 9,2 e não nota 10?

A SSL me deixava com aquele gostinho de quase ter comido tudo e fica faltando aquele finalzinho. Aquele pedaço de carne do prato de almoço roubado pelo irmão maroto. E como um coito interrompido. E como estar ali no rala-e-rola. Ali no dale, dale, dale, e dale mais. No tele-e-zaga, chegando nível krau nº 5 e então… A pessoa precisa urinar! Bussanha, viu! Essa vida medalha de prata, ficar à sombra ou não aparecer por não merecer. Vida cu é o da impostora, bota para fora quando poderia aproveitar e botar dentro, com carinho consensual. E então botar para fora com intencionalidade e manutenção de si. Eu acreditava piamente que não era para mim e que nunca seria, que não me era merecido. É tu só vê e pensa que a obra é da outra, é do outro, e não é tua. Aquelas pessoas mereciam o ouro e eu não. A SSL me cegava e se estabilizava cada vez mais fundo. Neguei e fugi dos ouros. Prata ou bronze já estavam bem.

Até que um dia o basta veio. A muito custo. E vem porque o mundo te contempla e devolve os esforços da corrente do bem. E para para sobreviver e preservar-me perante a corrida ao destaque de contas pagas, principalmente em meio machista, autoritário e castrador, desenvolvi uma defesa afim com minha personalidade: a capsula imaginária EMBURREÇA-SE. Uma super-power-mega-bluster-power-ranger-rosa para manutenção de minha integridade física, mental e social; e ainda preservar minha assinatura na coletividade.

Com a capsula EMBURREÇA-SE, eu conseguia escapar de uma situação competitiva e ainda assim ter uma oportunidade de vez e voz plantada para colheita futura. A posologia sempre e ainda o é, bem simples. Ao perceber que a tua ideia pode causar um frisson, perturbar a criatividade alheia de uma superior, provocar a discórdia entre a família, destronar uma cagante comum ao seu meio, administre uma capsula intra-retal e segure tua onda. No momento oportuno após ser estabelecido o dilema, ou exposto o conflito, veja se a tua estratégia-ouro, camuflada em prata ou bronze, se adapta. Então exponha. Em caso negativo, reserve-a na gaveta de tesouros, para eventos futuros. Poupar ouro, sempre foi e sempre será uma boa saída às entressafras de uma gestão. Uma reserva energética e idearia é sempre útil ou pelo menos pode-se pagar uma boa empena.

EMBURREÇA-SE sempre foi o alívio certo em situações onde, bastava uma palavra minha para exterminar dez babacas ridículos, machistas, misóginos, e até mesmo derrubar argumentos de mulheres bitoladas ignorantes. A capsula EMBURREÇA-SE traz em sua identidade visual tons azuláceos e traços esverdeantes. Paleta de cor que proporciona a temperança da personalidade, abrandamento de angústias e ansiedades; e te leva a um ponderamento: Não são necessários, em todos os momentos e em todas as situações, ideas tão super-megas criativas, resolutivas, eficientes e eficazes. É importante olhar o seu aterramento. De onde vens e o que te fortalece. As cagadas de teu passado podem te salvar.

A primeira poda de pessoas inteligentes e assertivas em mundo que silencia essas personalidades, será vivida dentro da família. Que começa controlando nossas línguas, lábios superiores e lábios inferior; e nossa fala-corpo quanto um todo. A problemática, ainda preservada, foi estabelecida a centenas de anos em ambiente em que os pais têm inteligências diferenciadas dos filhos e temem por sua evolução. A geração vindoura tem que superar a anterior, ou a vida não se preserva. O Mestre tem que ser superado por seu pupilo ou pupila.

Mas crescida em ringues em casa, na rua, na escola, no interior e percebendo que esses espaços só matavam as relações que podiam ser sagradas, a capsula EMBURREÇA-SE salvou-me, e adquiri o comportamento de dar um passo para trás pela paz. Com um universo de responsabilidades somadas em todas as minhas relações profissionais, emocional e sociais, eu precisava preservar-me em primeiro lugar. Isso! Assim eu me daria o primeiro lugar, a mim mesma. Ou seja para mim, sou o sol e a lua, ouro ou prata, garota nota mil ou deusa mitológica, e está tudo bem. Então a SSL cala-se por vez. E vem a força do conceito de coautoria como meu lema. Promover a coautoralidade sempre sem necessidade de retorno de medalhas metálicas, mas sim do sentimento de realização.

É preciso respeitar valores e marcas originais e isso não tem escambo que negue. Por exemplo, e já terminando meus pensamentos escrachados por sentir uma comichão forte nos pés. Para escrever esse texto precisarei de minha Olivetti Lettera 22, de folhas de papel, de fita datilográfica, de uma mesa, de uma cadeira, de algo que vem antes, certo? Por mais básico que seja qualquer recurso, precisamos do simples para criar o complexo. Quem criou esses recursos antes, também faz parte de minha obra. São coautores e coautoras comigo. O que veio antes preservou nosso hoje, para garantir o pulo do futuro. Esse antes tem que ser sagrado, abençoado e agradecido. O que vem antes é o que te salva. As cagadas dos outros podem te salvar também. Ou em meu caso me lascar. Cabe agora administrar a minha capsula, e não saí de meu caminho mais.

Na comunidade da vida, bichos trocam de pele, mudam os tons de pelugem ao longo de envelhecer e continuam sendo a mesma substância. Na metáfora do rio, seremos outras e outras a cada banho, mas nosso cu é o mesmo, ressignificado a cada lavada. Não tem problema em emburrecer-se às vezes, caríssima pessoa leitora. É bom ceder, dar um passo para trás, ou deixar de ver, mas desde que não macule o teu e nem os nossos valores conviventes. Se eu perder a minha essência sui generes monossilábica, perco a mim mesma. Por hora o melhor é dar descarga e deixar a minha obra, seguir para o mundo, no caso, ao mundo da fossa. Despeço-me com a cabeça leve, as pernas dormentes e o cu sujo. Mas não se pode ter tudo, apelo então, ao Estadão. Bom dia.

18 maio

Singelas felicidades

A partir de hoje, quero acumular em mim, apenas felicidades, é possível?
Os beijos e abraços repentinos recebidos das crias,
Os cochichos de: eu te amo mamãe!
A chegança na mente de textos sinceros,
A gratidão de sentir a presença de Deus a cada inspiração,
O cheiro do café no começo do dia,
O aroma do chá de cidreira no fim de uma noite,
O contar das histórias da vida andante,
As boas vibrações de quem me escuta,
O amparo das pessoas em alguns breves instantes,
Esquecer por um tempo a vida virtual,
Caminhar observando o que de bom me cerca,
Respirar maresia e tomar banho de mar,
Ouvir com atenção o barulho das ondas,
Encontrar com mulheres para trocar ideias,
Sentir acolhimento com o compartilhamento
De vivências da vida, com boas risadas,
Dividir comidinhas feitas com amor,
Ouvir uma playlist e deixar minha mente seguir para longe,
Trocar mil carinhos com o meu companheiro,
Dividir pensamentos e zelar pela prosa,
Deixar fluir em mim melodias tocantes,
Terminar o meu dia me dando perdão
Por não ter conseguido acumular, nem ao menos, a metade destas minhas singelas felicidades.

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